Na
edição desta terça-feira (3), você confere a entrevista com João Pedro Stedile,
da Direção Nacional do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na
conversa, ele fala sobre as expectativas das eleições de 2018.
Em
sua vivência política, João Pedro Stedile afirma que nunca viu uma eleição tão
acirrada. Para ele, há uma disputa clara entre dois projetos, que representam a
"final" da luta de classes - e o juiz é o povo. Nessa disputa ficam
esquecidos. a discussão de projetos e as candidaturas sem chance de ganhar o
páreo. Para os movimentos populares, fica a tarefa de pensar novas formas de
dialogar com o povo, apoiar projetos populares e tentar evitar a ascenção do
facismo, representado pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).
Stedile
não acredita nas preocupações de parte da esquerda e pondera que mesmo com
altas intenções de voto, a população brasileira não é nem de perto
majoritariamente fascista. Mas reconhece que com o atual grau de polarização, a
possibilidade de um governo de conciliação de classes capitaneado pela
esquerda, é muito pequena.
O
programa Democracia em Rede, produzido pela
Rede Lula Livre e Rádio Brasil de Fato, entrevistou João Pedro Stedile,
economista e membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST). Na conversa, ele analisa a conjuntura nacional das eleições e
também os desafios no período pós-eleitoral, apontando perspectivas em relação
ao resultado das eleições em primeiro e segundo turno. Confira.
Brasil
de Fato: Como os movimentos sociais enxergam essa eleição?
João
Pedro Stedile: Nós estamos vivendo um período histórico da sociedade
brasileira, que transformou as eleições numa disputa de luta de classes, uma
disputa de projeto, que, inclusive, na minha pouca vivência política, eu não me
recordo de outra eleição em que os dois projetos estavam tão claros. Mesmo a
eleição de 89, que foi muito disputada, foi mais um festival de democracia e a
figura do Collor era vista como um caçador de marajás - e ele procurou se
distanciar da Globo e dos capitalistas.
Agora,
essas eleições têm um significado muito importante, porque elas levaram para
disputa eleitoral uma luta de classes que se acentuou na sociedade brasileira a
partir da eclosão da crise econômica que afeta a todos nós. A crise econômica
começou em 2008, se agravou em 2013, e em 2014 emergiu com força. A burguesia,
então, para se salvar da crise econômica, cujas causas, inclusive, vêm de fora,
deu o golpe político. Para aplicar um plano que significa, na verdade, ela se
proteger e jogar todo o peso da crise sobre a classe trabalhadora.
O
Brasil está tal e qual o Titanic, como disse o comandante do Exército,
[General] Eduardo Villas Bôas. Quando a crise econômica acontece, ou seja,
quando o barco começa a afundar, a primeira classe corre pegar os botes e a
segunda e terceira classes, que são a classe trabalhadora, vão se afogar. E
eles botaram ainda a orquestra do navio para distrair a segunda e terceira
classes. Esse papel da orquestra, aqui no Brasil, é a Globo, com as novelas,
com seus fakes, com toda a máquina midiática que eles têm, eles ficam tentando
dispersar e enganar a classe trabalhadora. Mas nesse projeto que eles deram o
golpe para se salvar, eles não conseguiram nem tirar o Brasil da crise
econômica e, ao contrário, geraram uma crise social, pelo aumento da
desigualdade; geraram uma crise ambiental, pela voracidade com que as empresas
vêm para o Brasil agora tomar conta do pré-sal, do minério de ferro, da água; e
geraram uma crise política, porque o governo não representa ninguém. Na história
da nossa república, nunca houve um governo que tivesse só 3% de apoio. Pior,
essa crise política, então, aparece agora, nessa semana, quando eles não
conseguiram ter unidade suficiente para ter um só candidato da direita, para
ser porta-voz do seu projeto.
Que
seria o Geraldo Alckmin, no caso?
Eles
tentaram, partidariamente, criar essa unidade em torno do Alckmin, com seus 10
partidos que se somaram. Mas esqueceram de combinar com o povo. Porque, pra
você dar unidade popular, precisa ter carisma popular, precisa ter
representatividade popular. E o povo negou essa representatividade popular aos
golpistas. E o único que emerge no campo da direita, que é o desastre deles,
foi o [Jair] Bolsonaro. O Bolsonaro é o fruto do que eles semearam durante os
últimos cinco anos: todo dia falando na Globo contra o PT, contra a esquerda,
contra a Venezuela, contra o Lula, contra a igualdade social, contra as cotas,
contra os negros, contra os sem-terra. Bom, se tu fica fazendo uma mensagem
diária que leva à discriminação, à misoginia, às ideias fascistas,
evidentemente que essas ideias vão aparecer agora em torno de um candidato, que
é Bolsonaro.
Então,
eles estão em um pepino muito grande, porque Bolsonaro, a bem da verdade, ele
não é também um legítimo representante da burguesia, ele é um fascista, ele
quer resolver tudo na porrada, na arma. Tanto é que ele usa aquilo de mostrar
com os dedos o símbolo de uma arma. Eu acho que a burguesia está com muitos
problemas, eles não conseguiram viabilizar o Alckmin e agora não sabem o que
fazer com o Bolsonaro.
Você
acha que existe a possibilidade de a burguesia rechaçar ou tentar impedir mesmo
que o Haddad tome posse, se for eleito, e apoiar massivamente o Bolsonaro em um
segundo turno?
Eu
não acredito. Claro, tudo isso são hipóteses, e vocês podem entrevistar vários
companheiros com opiniões diferentes, mesmo no campo da esquerda. Mas a minha
leitura é que a burguesia não vai arriscar com o Bolsonaro. Até porque a
burguesia, como máquina econômica, não tem mais tanta força. Isso se revelou
com o Alckmin. A burguesia com a máquina da Globo também não tem mais tanta
força. Vocês veem que a Globo tentou viabilizar o Alckmin de todas as formas. A
imprensa, em geral burguesa, tentou. A última revista desta semana da Veja é
pau no Bolsonaro, evidenciando os seus pequenos grandes pecados familiares,
mostrando que ele também teve um enriquecimento mal explicado. Mas mesmo assim,
você vê que os votos do Bolsonaro estão consolidados. Então, eu acho que no
segundo turno, os votos da burguesia vão se dividir. Ela não tem mais tanto
poder de influenciar o voto dos trabalhadores. De certa forma, os trabalhadores
também estão consolidados na sua leitura do que está acontecendo no Brasil.
Então
há uma divisão na burguesia?
Eu
acho que a burguesia vai dividida. Ela não tem mais tanta força de ela decidir
as eleições pelo poder econômico. Eu acho que a burguesia mais inteligente, que
é representada pelos seus intelectuais orgânicos, como Delfim Neto, como
Fernando Henrique Cardoso, como o próprio Tasso Jereissati, eles já estão
acenando. Aqui no Paraná mesmo, os próprios tucanos paranaenses já deram vários
sinais de que não apoiarão o Bolsonaro. Então, eu acho que essa é a medida mais
inteligente. O que eu fico mais preocupado é se depois que o Haddad ganhar,
eles tentarem reconstruir um governo de conciliação, que, do ponto de vista
econômico não tem mais espaço. Nós ganhamos a eleição de 2002 porque parte da
burguesia brasileira se aliou ao Lula. E com isso foi possível uma vitória, mas
resultou dessa vitória um governo de composição de classes. Então o governo
Lula foi um governo bom para todo mundo. Todas as classes se sentiam
representadas no governo Lula. Desde os banqueiros, como o [Henrique]
Meirelles, que está aí mostrando quem é, até os mais pobres, que foram
beneficiados pelo Bolsa Família e por todas as políticas.
Eu
acho que, nesse quadro de crise econômica, não há espaços mais para um governo
de composição de classes. Ou seja, porque quando tu não tem uma crise
econômica, que há excedentes econômicos na sociedade, é fácil fazer políticas
públicas que atendam aos pobres sem atingir o lucros dos ricos. Agora os ricos
estão em crise. Os únicos que não estão em crise são os bancos e as empresas
transnacionais.
Como
deve ser então um eventual governo petista?
Então,
um governo Haddad terá que, necessariamente, atingir os bancos e atingir as
grandes corporações para poder voltar a criar emprego e atender aos mais
pobres. E a pauta econômica é urgente, então o governo Haddad vai ter que,
imediatamente, tomar medidas no campo tributário. Ainda que do ponto de
legislativo só sirva para o ano que vem, mas o governo tem mecanismos de
controlar o lucro dessas empresas e mesmo usar todo o dinheiro público para,
invés de pagar juros, fazer investimentos pesados na reindustrialização do
país.
O
PT tem falado em usar, inclusive, as reservas internacionais?
Eu
acho que isso não é necessário. O Brasil é um país rico. Deixa lá os 200
bilhões como uma espécie de retaguarda, do ponto de vista econômico. Mas você
faz um programa de habitação popular muito barato. Imagina, cada casa popular
custa R$ 50 mil, então, pra fazer um milhão de casas não precisa muito
dinheiro. E a mesma coisa a reforma agrária. E a mesma coisa a indústria que
gera emprego. Com um bom programa do BNDES, como, aliás, o Lula fez em 2008, tu
consegue retomar. Mesmo uma boa administração da Petrobrás.
Coloca
de novo lá o Gabrielli na Petrobrás e faz com que a Petrobrás volte a fazer as
encomendas no Brasil, cancele os leilões que eles fizeram do pré-sal, que isso
foi à revelia da lei. E então, com medidas de emergência, a gente possa
recuperar o emprego, a renda e o bem-estar para a classe trabalhadora. Mas
nota: não dá mais para melhorar de vida a classe trabalhadora sem mexer no
lucro dos bancos e das grandes empresas.
Como
o PT pode fazer garantir essas reformas, principalmente na conjuntura da luta
de classes, que está muito acirrada e também numa ascensão do fascismo que vai
apontando em pautas contrárias à classe trabalhadora? Como fazer isso? Talvez,
muitas das críticas dos movimentos sociais aos governos do PT foi o afastamento
das bases. Talvez não seria essa a saída para o governo Haddad conseguir
implementar essas reformas?
O
governo Haddad não pode ser visto como um governo PT, nem da esquerda.
"Ah, mas então vamos de novo compactuar?" Não. O governo Haddad só se
viabiliza se ele for um governo popular. Isso significa que a primeira
pactuação tem que ser feita com o povo, com as massas e isso se faz de várias
formas: com setores organizados, como são as centrais sindicais, com os
movimentos populares, com as igrejas, que têm muita capilaridade e falam com o
povão, com a juventude. Mas, sobretudo, nós temos que recuperar no Brasil
métodos de participação popular no governo, que pode acontecer de muitas
formas, com plebiscitos populares por exemplo.
Então,
o primeiro plebiscito que o governo teria que fazer é para revogar as medidas
contra o povo, que o governo golpista do [Michel] Temer tomou, seja a reforma
trabalhista, seja a PEC 55, sejam outras medidas perversas que ele tomou. Bom,
o plebiscito é uma forma, o referendo é outra forma, e há outras formas de
estimular o debate com a sociedade, mesmo na rua.
Quais
seriam as principais tarefas dos movimentos sociais para responder em um
governo de ultra direita, que seria representado pelo Jair Bolsonaro?
Honestamente,
eu acho que as ideias fascistas e o Bolsonaro não têm a maioria da sociedade.
Você mesmo pode pesquisar no seu ambiente. Para ter maioria de fascista, eles
já estavam na rua nos trucidando. Então, não pode ter maioria de fascista na
universidade, não pode ter maioria de fascista nas igrejas, não pode ter
maioria de fascista entre os comerciantes e ninguém quer a violência como
solução. Pode fazer qualquer pesquisa aí, não há nenhum setor social que quer a
violência. Mesmo entre os policiais militares, cuja tarefa é repressão, mas dentro
da lei, mesmo os tenentes coronéis, eu tenho visto nos últimos dias apareceram
vários artigos de coronéis da PM do Sergipe, do Ceará, de São Paulo alertando
que não será distribuindo arma para a população ou a polícia ser mais
truculenta que vai resolver o problema da violência. Ao contrário, as armas
matam. Ou seja, vai criar mais violência.
O
caso do Rio de Janeiro é ainda mais didático, porque eles aumentaram a
repressão, botaram o Exército na rua e o índice de criminalidade aumentou.
Então, não resolveu nenhum problema do Rio de Janeiro, ao contrário, se
agravou. Eu não acredito na viabilidade de um governo Bolsonaro, acho que seria
uma crise permanente que levaria, certamente, em poucos meses, ao impeachment.
Porque a própria direita, como eu disse, a ela não interessa o caos no Brasil e
um conflito permanente. Porque o caos e o conflito tiram a legitimidade e a
tranquilidade que o capital precisa para produzir, para ter lucro, para
exportar. Então, você imagina uma greve geral, que seja contra o governo
Bolsonaro, ela vai afetar os capitalistas.
Eu
acho que, já que tu perguntou como hipótese, eu acho que o exemplo da Argentina
é um bom exemplo para nós dos movimentos populares. E olha que a situação da
Argentina era pior, porque o governo de direita ganhou as eleições. A burguesia
argentina recebeu o passe livre do povo, pelo menos da sua maioria, foi
democraticamente eleita. Mas o povo não saiu da rua, continuou se mobilizando,
fazendo mobilizações e agora na greve geral foi espantosa a adesão de toda a
população, até os aviões pararam no aeroporto de Ezeiza. E o governo Macri,
praticamente, foi pras calendas. Então, nós não temos outra saída. Por isso que
vai ser um período histórico muito ativo, nós vamos nos mobilizar com Haddad
para criar um programa de governo e medidas de governo que resolvam os
problemas do povo. E se, Deus o livre, o Bolsonaro ganhar, nós temos que
continuar na rua para impedir retrocessos ainda maiores.
Falando
mais da agenda do MST em relação à reforma agrária e também da agricultura
familiar, como é que você analisa a pauta dos candidatos em relação a esse
tema?
A
reforma agrária está parada nos últimos quatro anos. Já nos últimos dois anos
da Dilma estava parada pela crise econômica. E a reforma agrária só se
viabiliza, para resolver o problema dos camponeses sem-terra, se estiver no
bojo de um novo projeto de país. Daí porque a nossa insistência com os
militantes do MST: nesse período histórico, o papel dos militantes do MST é
fazer campanha, é eleger Haddad, é eleger governadores progressistas, deputados
progressistas, porque a reforma agrária não depende de um partido ou de um
plano. A reforma agrária vai depender de um outro projeto para o país, que
nessas circunstâncias só vai se viabilizar com a vitória do Lula-Haddad.
Agora,
no contexto geral da disputa eleitoral, foi o que eu disse no início, nunca
antes na história republicana nós tínhamos uma eleição tão claramente de luta
de classes entre o projeto dos capitalistas e o projeto da classe trabalhadora.
E o povão interpretou assim, ainda que sem consciência: "no outro lado,
quem está? O Bolsonaro. O Alckmin não me interessa". E do lado de cá, o
Haddad. Então, note as circunstâncias: quem tentou fazer um discurso de centro,
pra agradar todo mundo, se ferrou eleitoralmente. Então, a gente sabe dos
compromissos do Ciro com o povo. A Marina, menos. Mas eles não conseguiram se
viabilizar como candidaturas de centro. E lá na esquerda a mesma coisa, todo
mundo sabe dos compromissos do [Guilherme] Boulos, da companheira que é
candidata pelo PSTU, que são pessoas de esquerda. Mas o povo nem quis tomar
conhecimento. Olha a tragédia eleitoral, o PSOL, que é um partido de esquerda,
caiu de um patamar histórico de 8%, 10% que ele fez com a Heloísa Helena, com a
Luciana Genro e agora não vai fazer 1%?
O
PSOL apostava muito numa reorganização da esquerda também?
Pois
é, mas tu vê que não é julgamento nem do PSOL, nem do Boulos. Na verdade, o
povo está julgando a luta de classes. É como se fosse assim: quem chegou na
final dessa luta de classes? Chegou o Bolsonaro e o Haddad. Então, todos os
outros times não me interessam. O povo repete a metáfora do futebol na luta
eleitoral também.
É
por isso também que não está se discutindo programa. O povo não está nem aí
para o que tem no programa. Aliás, o Bolsonaro nem programa tem. E o Haddad tem
um belo programa, mas você vê que ninguém pergunta sobre isso para ele. Não é
isso que está em disputa. O que está em disputa é a luta de classes, são os
golpistas, os capitalistas que vão continuar mandando nesse país ou a classe
trabalhadora vai recuperar forças políticas para tirar o país da crise sem
pagar o pato?
Eu
queria que você deixasse uma mensagem para esses últimos momentos de corrida
eleitoral. Uma eleição que começou muito tempo antes, essa eleição praticamente
começou com o golpe na presidenta Dilma e, a partir desse golpe, a sociedade
ficou claramente polarizada e praticamente começaram as eleições ali, né?
É
verdade, mais do que eleições, se acirrou a disputa entre os dois projetos. E
nós temos que arregaçar as mangas nesta semana para justamente explicar isso
para o povo. A manifestação que as mulheres fizeram no sábado foi uma bela aula
de política, didática, mostrando para o povo. O #EleNão não é só o Bolsonaro. É
ele, o projeto da burguesia. E nós temos que reafirmar o nosso projeto. Então,
quando a gente pede voto para o Haddad não é simplesmente proselitismo
eleitoral.
O
Haddad agora encarna o Lula e encarna o projeto da classe trabalhadora. Nós
temos que arregaçar as mangas essa semana para explicar para o povo isso, que
ele deve decidir entre dois projetos: os golpistas do capital ou os
trabalhadores tentando a redenção de um programa de governo que vai jogar o
peso da crise sobre a burguesia, não sobre os trabalhadores, e vai recuperar um
Estado democrático para nós termos políticas a favor do povo. E depois do
primeiro turno, já que certamente não vai se decidir no primeiro turno, nós
então, naquele mês, temos que voltar a intensificar ainda mais um trabalho de
conscientização e nós recomendamos para nossa militância: nós temos que usar
formas criativas de fazer campanha política, usar música, as bandas, os
painéis. Você viu que, praticamente, nessa campanha não teve comício, e quem
vai em comício são os militantes. Então, a militância tem que ser mais criativa
na forma de defender suas ideias para a população em geral.
E
depois de 28 de outubro, nossa militância vai ter que voltar a fazer trabalho
de base, fazer reunião nos bairros, assembleias populares no congresso do povo,
para discutirmos que mudanças o governo Haddad terá que fazer a partir do seu
primeiro dia de governo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário