Conforme
as pesquisas de opinião, no Brasil cerca de um terço dos eleitores estariam
dispostos a votar numa versão patética de Hitler, um medíocre hitlerzinho
tropical, sem o carisma, a retórica e a estratégia política do original. Sem
sequer um programa de governo. Um grande vácuo pleno de ódio e preconceito.
Nada mais, nada menos.
Segundo
o TSE, o Brasil tem hoje 147 milhões eleitores. Portanto, cerca de 49 milhões
eleitores brasileiros gostariam de votar em nosso hitlerzinho tupiniquim e em
seu pitoresco vice, Mourão, o Ariano. Aquele que não confia em mães e avós.
Duvido
que, em qualquer outro país, haja 50 milhões de pessoas dispostas a votar num
candidato escancaradamente misógino, machista, homofóbico e racista. Um
candidato que elogia a tortura, a ditadura e o fuzilamento de adversários. Um
candidato que já afirmou publicamente que “democracia não resolve nada”, que o
“Congresso deveria ser fechado” e que o único jeito de “consertar o Brasil” é
promover uma guerra civil que mate mais ou menos umas 30 mil pessoas, incluindo
inocentes. Um candidato que oferece armas para solucionar os problemas do país.
Não bastasse, é também um candidato acusado de lavagem de dinheiro e suspeito
de enriquecimento ilícito.
Claro
está que, em tempos de crise econômica, é natural um crescimento da direita
autoritária. As crises geram insegurança, a insegurança gera medo, o medo gera
ódio e o ódio se expressa, muitas vezes, em pseudosoluções fascistoides. Por
isso, há um aumento da direita autoritária em todo o mundo.
Mas,
nos países verdadeiramente democráticos, as instituições geraram defesas contra
o perigo nazista. Se Bolsonaro fosse alemão ou britânico, já estaria preso há
muito tempo, pois nesses países é ilegal se fazer apologia do fascismo, do
racismo, da tortura, etc. Se norte-americano fosse, jamais seria eleito, como
Trump, de direita, foi. Lá, candidato que afirma que o “Congresso deve ser
fechado” e que “democracia não resolve nada” não chega nem nas primárias.
No
Brasil, infelizmente, aconteceu o contrário. Os golpismo rompeu com o pacto
democrático, acabou com a soberania popular, derrubou a presidenta honesta e
estimulou o surgimento de grupos escancaradamente fascistas, racistas,
homofóbicos e misóginos. Aqui, a direita tradicional, a mídia oligárquica e
algumas instituições, principalmente as do Judiciário, trabalharam ativamente
contra democracia e pelo estímulo ao autoritarismo protofascista.
Na
sua ânsia histérica de derrubar o PT a qualquer custo, derrubaram a democracia
e quaisquer defesas contra o crescimento do fascismo. Pagam agora, com seu
nanismo político, o preço da sua traição aos princípios democráticos. E o
Brasil hoje tem a dúbia “honra” de abrigar o maior movimento protofascista ou
fascista do planeta.
É
irônico constatar que os responsáveis pela debacle da democracia brasileira e
pelo crescimento do fascismo tupiniquim agora acusem Haddad de ser um “político
extremado” e se auto apresentem como “forças moderadas e democráticas”. Isso é
simplesmente o cúmulo da hipocrisia e do cinismo.
O
PT, goste-se dele ou não, sempre lutou pela democracia e defendeu suas
instituições, mesmo quando elas se voltaram contra ele, de forma não
republicana.
Já
Bolsonaro é a cria bastarda deles, dos golpistas, dos canalhas que avacalharam
o Brasil e sua democracia.
Não
chega a surpreender, contudo. Max Horkheimer dizia que “o fascismo é a verdade
do capitalismo”. Com toda certeza, Bolsonaro é a “verdade” das nossas
oligarquias. Elas nunca tiveram, de fato, compromisso real com a democracia e
com o Estado democrático de direito. Sempre foram racistas, misóginas e
preconceituosas. Sempre apostaram na desigualdade travestida de “meritocracia”.
Nunca se livraram da sua mentalidade escravagista e colonizada. Sempre que
consideraram necessário, deram golpes de Estado. Militares ou judiciais. O
resto é conversa mole de cínicos e hipócritas.
No
Brasil, o chamado “campo democrático”, tirando honrosas exceções, sempre esteve
concentrado na esquerda e na centro-esquerda. A adesão da nossa direita
oligárquica à democracia sempre foi oportunista e superficial. É isso, entre
outros fatores, que torna a nossa democracia algo estruturalmente frágil. E é
isso que explica também, somada a atual conjuntura de crise profunda, o
surgimento do maior movimento fascista ou protofascista do mundo.
Nem
tudo está perdido, contudo. Graças ao prestígio e ao gênio político do maior
líder popular da história do Brasil, encarcerado pelos golpistas para ser
impedido de concorrer, Haddad, o candidato mais preparado, um político moderado
e autenticamente democrático, tem totais condições de vencer as forças
antidemocráticas no segundo turno.
Para
tanto, será necessário formar uma grande frente pela democracia e pela
civilização, contra a barbárie antidemocrática do candidato protofascista.
Não
temos dúvida que a maior parte da população se somará a essa frente, se
dispuser das verdadeiras informações sobre as forças antidemocráticas, que
querem destruir seus direitos políticos e sociais. Que detestam mulheres,
negros, índios e gays e pobres em geral.
Resta
ver o que farão as autointituladas “forças do centro”, que há muito se
comportam como forças de direita extremada.
Vão
destruir de vez a democracia do Brasil só para impedir o PT de voltar ao poder?
Ou vão apostar na conciliação e na racionalidade política?
Se
optarem pela primeira, o Brasil poderá se tornar a grande vergonha do mundo. Um
pária internacional definitivo. Um país dirigido por fascistas de almanaque. A
ameaça a toda a América Latina, como definiu a conservadora The Economist,
poderá se concretizar. Na realidade, ameaça ao mundo.
Se
optarem pela segunda, o Brasil terá todas as condições de tornar a ser uma das
principais democracias do globo, que deu exemplos ao planeta na época em Lula
governava com espírito generoso e conciliador.
Lula,
Haddad e o PT, não os golpistas, são o verdadeiro centro político do Brasil.
Centro político em mais de um sentido. Se quiserem combater o fascismo em
ascensão é melhor ir se acostumando à ideia de que eles precisam voltar à cena.
Haddad
ou fascismo? Democracia ou barbárie? Escolham. Não façam o Brasil passar mais
vergonha do que já passou e descer mais baixo do que já desceu.
Marcelo
Zero

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