sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O CORTIÇO DE NOSSAS ALMAS. Por Eliana Rezende

Vez por outra sinto um grande mal estar e algumas perguntas me vem a mente: afinal, quem é que precisa de um deus, um inferno, um céu, um diabo se todos nos habitam no grande cortiço de nossas almas?

Nos espreitam, acompanham, se insurgem e nos movimentam sempre e tanto!

Mas é interessante como em todas as tradições religiosas são colocados para fora e para além do indivíduo como se longe ou perto significassem domínio sobre as forças do além.

O Bem mantido próximo significaria bem aventurança e local certo e garantido num locus que alguns chamam céu, paraíso, mas que significariam perfeição e eternidade. Colocados num futuro ad eternum, o indivíduo passa uma existência barganhando e negociando favores e fazeres.

O julgamento ora feito pelos que compartilham a fé em sua imediaticidade, ou um deus onipresente e onisciente põe em xeque princípios mínimos de privacidade: nada escapa aos seus olhos.

Do outro lado há o Mal, colocado quase sempre na fronteira entre o ser e o mundo, representa uma presença permanente em frestas de ações ou pensamentos. Oportunista se vale de um jogo de sedução e sedição, buscando na barganha com os céus corromper algum 'íntegro' desavisado.
A negociação entre o que perde e o que ganha também é jogada para fora e para frente onde ninguém sabe ao certo quem é o juiz e quem é o oponente.

No mundo maquiavélico as pessoas se esquecem de que o cortiço da alma aceita e cabe de tudo um pouco.
Não é lá fora, ou distante nos dias que tudo ocorre.
Em verdade, no cortiço de nossas almas os gritos das lutas travadas ocorrem todo o tempo e às vistas de todos. Tudo o que acontece em cada compartimento está lá: basta olhar!

A lama, o lodo e todos os odores dos recônditos do cortiço de nossa alma estão ali.


http://jornalggn.com.br/blog/eli-rezende/o-cortico-de-nossas-almas-por-eliana-rezende

Nenhum comentário: