A
senadora Gleisi Hoffmann pediu a renúncia de Michel Temer e a convocação de
novas eleições “para superar a crise política”.
Temer,
que admitiu o crime de tráfico de influência como se estivesse contando que foi
à padaria comprar um picolé, terá ainda de lidar com a divulgação das gravações
com Marcelo Calero.
Embora
tenha sido dúbio no início, Calera acabou dizendo que grampeou as conversas por
sugestão de amigos da Polícia Federal para usar como prova. A PF analisa os
áudios.
“A
situação dele é insustentável”, discursou Gleisi.
“A
renúncia seria para compensar a pequenez. O líder da oposição Lindbergh Farias
já protocolou o pedido de impeachment, mas o processo é longo e traumático.
Seria uma grandeza se Temer renunciasse”.
Aí
está o erro. Temer é diminuto demais para uma atitude dessas. Que diria, então,
o suicídio, que demandaria um grau de drama e coragem que simplesmente não
habita um personagem secundário como ele.
Tudo
ali é de segunda categoria: a conspiração, o golpe, a carta, os poemas, os
pronunciamentos, os jantares, sua figura e, sobretudo, obviamente, o governo.
A
vagabundice está entranhada no modus operandi temerista. Geddel Vieira Lima,
recordemos, era um dos anões do orçamento.
Ao
admitir para a colunista chapa branca Eliane Cantanhêde que vai procurar
“alguém que não esteja metido em nada” para substituir Geddel, ele está falando
que esse “detalhe” não estava em seu radar.
Mais:
está declarando, pela enésima ocasião, que o ex-ministro e amigo de fé estava
metido em algo — como ele próprio.
Com
toda a mídia ao seu lado fazendo propaganda, como ele definiu no Roda Viva,
Michel conseguiu errar em tudo. São seis ministros na rua em seis meses.
Não
entregou a mercadoria do golpe.
O
livro “Final Days”, de Bob Woodward e Carl Bernstein, a dupla de jornalistas do
Washington Post responsável por revelar o caso Watergate, conta que Nixon se
desesperou na véspera da renúncia.
Henry
Kissinger, conselheiro político e confidente, o viu com a cara enfiada no
carpete da Casa Branca, chorando e batendo com o punho no chão enquanto
gritava: “O que eu fiz? O que aconteceu?”
Alguém
imagina algo parecido com Michel e, digamos, Padilha? A malandragem do
Planalto, o estilo gângster maroto da banalização da ladroeira não tem espaço
para esse tipo de cena.
A
provocação de Gleisi vale para lembrar quem é Michel Temer. Não tem sentido
esperar que ele esboce uma atitude dessas, ainda que enrolado até o pescoço,
flagrado em advocacia administrativa — segundo o Código Penal, o ato de
“patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração
pública, valendo-se da qualidade de funcionário”.
Michel
Temer vai sair de outra maneira: enxotado como uma ratazana prenhe.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/michel-temer-e-pequeno-demais-inclusive-para-renunciar-por-kiko-nogueira/
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