Todos os anos, mais de 85
milhões de norte-americanos, e mais de 30 milhões de brasileiros com idade
superior a 20 anos, apresentariam exames de sangue anormais para a dosagem de
açúcar no sangue, ou para o teste de tolerância à glicose. Nesse último, o indivíduo
toma uma bebida com concentração de glicose e uma série de exames de sangue é
realizada após 30 minutos, uma hora, duas horas e três horas. O teste,
fundamentalmente, avalia a capacidade e a velocidade do corpo em quebrar a
glicose ingerida e “limpar” o sangue do excesso de açúcar.
Pessoas com diabetes
apresentam concentração mais alta de glicose, após um jejum de dez horas, e
também não conseguem eliminar a glicose ingerida em tempo satisfatório. Das
pessoas com testes anormais 20% a 30% serão portadores da doença dentro de
cinco anos. No entanto, vários estudos demonstraram que se essas pessoas
intolerantes à glicose conseguissem modificar substancialmente alguns hábitos
de vida, como obesidade ou elevada porcentagem de gordura concentrada no abdome,
tabagismo e sedentarismo, as chances de desenvolver diabetes reduzem-se
drasticamente.
Tendo em vista a difícil
tarefa de mudar o modus vivendi das pessoas, os cientistas e as autoridades
mundiais de saúde debatem o benefício de prevenir o diabetes e as desvantagens
potenciais de recomendar a realização rotineira dos exames de glicose em todas
as pessoas da população.
Um estudo recentemente
publicado na revista Annals of Internal Medicine, por um grupo de cientistas da
Força-Tarefa Americana de Serviços de Prevenção (US Prevention Services Task
Force) liderado pelo doutor Albert Siu, analisou todas as publicações
científicas relacionadas a esse assunto e concluíram que a recomendação de
testar as pessoas de risco mais elevado para intolerância à glicose seria bem
justificada.
Ficou claro, no entanto, que
o simples exame de sangue não previne o diabetes, a menos que seja acompanhado
por um programa intensivo de aconselhamento e modificação de hábitos e
comportamentos. Doutor Siu recomenda, portanto, a primeira realização do teste
em todas as pessoas com idade acima de 40 anos, que estejam obesas, ou que
tenham elevado risco familiar hereditário de diabetes ou de doenças
cardiovasculares. O teste deverá ser repetido a cada três anos para se certificar
de que a doença não se instalou.
Nas pessoas com intolerância
à glicose, os cientistas recomendam programas intensivos individuais de
controle da obesidade, do tabagismo e do sedentarismo como medidas para
prevenir diabetes, infarto e derrames. O doutor Siu enfatiza que a modificação
dos hábitos e dos comportamentos tem maior eficiência em prevenir a doença,
além de ser mais barata, do que a prescrição de remédios para diabetes como
metformina, amplamente difundida nos meios médicos. Com benefícios já descritos,
o doutor Siu e sua força-tarefa sugerem que as autoridades de saúde estabeleçam
programas de prevenção eficientes e de amplo acesso à população,
independentemente de seu poder aquisitivo.
Nesse sentido, medidas
simples podem ajudar a determinar o risco de uma pessoa morrer de doenças
cardiovasculares ou diabetes. Um estudo publicado pela equipe da doutora Karine
Sahakyan demonstrou que, mesmo em pessoas com peso normal, a presença de
excesso de gordura na região central, como a famosa barriguinha, apresenta o
dobro de risco de infarto, derrame e morte precoce, quando comparada com as
pessoas sem acúmulo de gordura central. Bastaria uma medida da circunferência
da barriga comparada com a da cintura. Exame simples e rápido que poderia
alertar as pessoas sem sobrepeso para um risco oculto de desastre.
Quem sabe iremos pensar
nisso após a conclusão da Operação Lava Jato. Temos outras prioridades nas
políticas nacionais, mais urgentes do que evitar milhares de mortes de nossos
compatriotas.
Fonte. Carta Capital
http://www.cartacapital.com.br/revista/880/como-prevenir-o-diabetes?utm_content=buffer0af82&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer
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