Em
menos de uma semana, policiais matando crianças no Brasil e no país
imperialista do norte, um policial branco, matando pelas costas um cidadão
negro. Como a maioria das pessoas, ao assistir ao vídeo, eu senti um profundo
mal estar e o compreensível aumento de minha decepção para com a espécie
humana.
Normalmente
no Brasil, a alegação é de que o “elemento” resistiu à abordagem, desacatou ou
tentou agredir os policiais e eles tiveram que reagir com imediatidade, usando
“moderadamente os meios necessários” para repelir a agressão injusta, atual ou
iminente, tendo sido configurada a tese da legítima defesa. Também nos EUA o
policial alegou legítima defesa. O azar dele é que alguém heroicamente filmou
tudo e desmentiu sua versão. Não fosse isto, ele provavelmente sairia impune da
história com em outros tantos casos semelhantes.
Como
músico que trabalhou mais de trinta anos em vida noturna e de advogado em
exercício já há 25 anos, com atuação em boa parte deste tempo na área criminal,
posso tranqüilamente afirmar que estes fatos vêm apenas corroborar uma
constatação que há muito tempo eu já fiz e que os acontecimentos
corriqueiramente acabam confirmando.
E
que constatação seria esta?
É
simplesmente o fato de observei ao longo do tempo que os olhares e atitudes dos
policiais são diferenciados em função de critérios de classe social e cor da
pele.
Se
forem pessoas brancas, bem vestidas, pertencentes às classes mais abastadas,
eles as olham e agem com ares de quem quer protegê-las de qualquer perigo. Já, se forem negras, mal vestidas e
habitarem as periferias, suas atitudes serão de quem quer incutir nelas tão
somente o medo, impondo um clima de terror.
As
primeiras fazem parte do segmento da sociedade merecedor da proteção integral
do estado; as outras, são apenas facções inimigas a serem combatidas a qualquer
preço. Para as primeiras, selfies sorridentes; para as segundas, bombas de gás,
spray de pimenta e balas, nem sempre de borracha. Para as primeiras, proteção;
para as segundas, o “caveirão”.
Trata-se
apenas de uma constatação empírica, mas duvido que alguém tenha argumentos
suficientes que consigam me convencer do contrário.

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