sábado, 6 de setembro de 2014

O SISTEMA DE COTAS



Há bem pouco tempo atrás, entrar em uma universidade era um sonho distante para as pessoas pobres das periferias de nossas cidades. Chegava até ser uma audácia acalentar estes objetivos considerados impossíveis. Os jovens então se conformavam em adotar uma profissão com a qual poderiam sobreviver com um mínimo de dignidade, mas que os colocariam até o fim de suas vidas em uma posição de subserviência aos membros de uma elite à qual eles estavam praticamente proibidos de adentrar.

O sistema de cotas modificou esta situação. Ele possibilitou o acesso de muitos destes jovens ao ensino superior. É claro que ao colocarem os pés dentro das universidades, eles enfrentaram a resistência da maior parte dos outros alunos, que consideravam um sacrilégio alguém estranho querer tomar o lugar que há séculos estava reservado tão somente às pessoas de suas classes sociais. Afinal, eles pertenciam a famílias com boas condições financeiras o que lhes propiciava a frequência a cursinhos caríssimos e no entendimento deles, educação era apenas para quem podia comprar. Aos que não podiam, não havia outro caminho: deveriam apenas servir a quem estava nas camadas mais altas da pirâmide social sem possibilidade de ascensão vertical dentro dela. 

O ambiente universitário era até então de uma homogeneidade irritante, eis que preponderava essencialmente a cor branca. Hoje não. Além de multicultural e comportando ideologias várias, o ambiente é multicolorido, com penteados diversos e vestes com visuais variados que deixam entrevermos pessoas de várias tribos, muitas delas advindas das periferias.

Atualmente, com o sistema de cotas estamos dando um golpe mortal naquela vetusta idéia de que apenas alguns poucos nascem para usufruir as melhores benesses produzidas por nossa sociedade e de que outros, a maioria, nascem tão somente para servi-los.

Hoje, com o conhecimento se espraiando para todos os escaninhos da sociedade, o povo já está consciente e não se contenta mais com as míseras migalhas que lhe são jogadas de um bolo que ele confeccionou sozinho. Ele quer a maior parte do produto do seu trabalho e não aceita mais continuar sendo explorado por esta minoria detentora do poder econômico. 

Ah, e nunca devemos esquecer que a realização de todos estes sonhos somente foi possível após as medidas de inclusão social implementadas por Lula e Dilma Roussef.


Jorge André Irion Jobim.

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