Há bem pouco tempo atrás,
entrar em uma universidade era um sonho distante para as pessoas pobres das
periferias de nossas cidades. Chegava até ser uma audácia acalentar estes
objetivos considerados impossíveis. Os jovens então se conformavam em adotar
uma profissão com a qual poderiam sobreviver com um mínimo de dignidade, mas
que os colocariam até o fim de suas vidas em uma posição de subserviência aos
membros de uma elite à qual eles estavam praticamente proibidos de adentrar.
O
sistema de cotas modificou esta situação. Ele possibilitou o acesso de muitos
destes jovens ao ensino superior. É claro que ao colocarem os pés dentro das
universidades, eles enfrentaram a resistência da maior parte dos outros alunos,
que consideravam um sacrilégio alguém estranho querer tomar o lugar que há
séculos estava reservado tão somente às pessoas de suas classes sociais.
Afinal, eles pertenciam a famílias com boas condições financeiras o que lhes
propiciava a frequência a cursinhos caríssimos e no entendimento deles,
educação era apenas para quem podia comprar. Aos que não podiam, não havia
outro caminho: deveriam apenas servir a quem estava nas camadas mais altas da
pirâmide social sem possibilidade de ascensão vertical dentro dela.
O
ambiente universitário era até então de uma homogeneidade irritante, eis que
preponderava essencialmente a cor branca. Hoje não. Além de
multicultural e comportando ideologias várias, o ambiente é multicolorido, com penteados
diversos e vestes com visuais variados que deixam entrevermos pessoas de várias
tribos, muitas delas advindas das periferias.
Atualmente,
com o sistema de cotas estamos dando um golpe mortal naquela vetusta idéia de
que apenas alguns poucos nascem para usufruir as melhores benesses produzidas
por nossa sociedade e de que outros, a maioria, nascem tão somente para
servi-los.
Hoje,
com o conhecimento se espraiando para todos os escaninhos da sociedade, o povo
já está consciente e não se contenta mais com as míseras migalhas que lhe são
jogadas de um bolo que ele confeccionou sozinho. Ele quer a maior parte do
produto do seu trabalho e não aceita mais continuar sendo explorado por esta
minoria detentora do poder econômico.
Ah,
e nunca devemos esquecer que a realização de todos estes sonhos somente foi
possível após as medidas de inclusão social implementadas por Lula e Dilma
Roussef.
Jorge
André Irion Jobim.

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