REINO DE ATAVUS
Algumas religiões afirmam que a alma das pessoas falecidas deixando assuntos pendentes e não resolvidos em vida, acabam não tendo o denominado “descanso eterno” e ficam vagando aqui na terra, atormentando aqueles que permanecem vivos.
É justamente o que está acontecendo com os 21 anos de ditadura militar que transcorreram no Brasil entre os anos de 1.964 até 1.985. Durante esta fase negra de nossa história recente, muitos atestados de óbito falsos foram emitidos, exatamente igual àquele que deu uma versão de suicídio à morte do jornalista Vladimir Herzog, preso sem o devido processo legal pelo simples fato de manifestar opinião contrária ao regime da época.
Da mesma forma, se tentou sepultar aqueles “anos de chumbo”, forjando-se para eles também uma espécie de atestado de óbito falso, consubstanciado na denominada Lei da Anistia de 1.979. Acontece que a história daquela época de torturas e outras práticas ignóbeis praticadas em masmorras, parece que se recusa a morrer e ser enterrada ao lado da mentira. Permanece ainda a sua alma penando por aí, à espera de que a verdade aflore e ela possa vir a dormir o sono eterno.
Se para os religiosos é a oração que desprende a alma do mortos das coisas terrenas e as faz subir aos céus, aquele interregno de 21 anos talvez necessite realmente de uma Comissão da Verdade que coloque uma luz clareando os fatos e assim, tanto a alma da sua história como a dos desaparecidos e seus familiares, finalmente possam descansar em paz. Sem revanchismos; apenas a verdade pura e simples espantando velhos fantasmas.
Jorge André Irion Jobim. Advogado de Santa Maria, RS
É justamente o que está acontecendo com os 21 anos de ditadura militar que transcorreram no Brasil entre os anos de 1.964 até 1.985. Durante esta fase negra de nossa história recente, muitos atestados de óbito falsos foram emitidos, exatamente igual àquele que deu uma versão de suicídio à morte do jornalista Vladimir Herzog, preso sem o devido processo legal pelo simples fato de manifestar opinião contrária ao regime da época.
Da mesma forma, se tentou sepultar aqueles “anos de chumbo”, forjando-se para eles também uma espécie de atestado de óbito falso, consubstanciado na denominada Lei da Anistia de 1.979. Acontece que a história daquela época de torturas e outras práticas ignóbeis praticadas em masmorras, parece que se recusa a morrer e ser enterrada ao lado da mentira. Permanece ainda a sua alma penando por aí, à espera de que a verdade aflore e ela possa vir a dormir o sono eterno.
Se para os religiosos é a oração que desprende a alma do mortos das coisas terrenas e as faz subir aos céus, aquele interregno de 21 anos talvez necessite realmente de uma Comissão da Verdade que coloque uma luz clareando os fatos e assim, tanto a alma da sua história como a dos desaparecidos e seus familiares, finalmente possam descansar em paz. Sem revanchismos; apenas a verdade pura e simples espantando velhos fantasmas.
Jorge André Irion Jobim. Advogado de Santa Maria, RS
Publicado no site
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Publicado no jornal A Razão de Santa Maria, RS no dia 18 de Fevereiro de 2.010
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