Fragmentos.
A luta da população negra por educação no Brasil é reconstituída a partir de
recortes e rastros. Foi por meio de uma pequena notícia no jornal, intitulada
“Escola fundada por escravo faz 100 anos” que fiquei sabendo da existência de
Zózimo, escravizado que fundou uma escola para escravizados e libertos no Rio
de Janeiro oitocentista. Acredito que o papel da pesquisa histórica seja
também, dar visibilidade a sujeitos que não são lembrados nos livros dedicados
à memória nacional. Enquanto em países como os Estados Unidos, é possível
acessar diferentes materiais para saber mais sobre a luta da população negra
pela educação, como pode ser visto no documentário Avisem que estamos chegando,
por aqui, ainda há muito o que pesquisa e divulgar sobre essas tantas “figuras
negras ocultas” e silenciadas.
Conhecido
como “Zé índio”, Zózimo morava num casebre construído num terreno onde hoje
fica a PUC/Rio (Pontifícia Universidade Católica). Ainda de acordo com a nota
no jornal, Zózimo se alfabetizou rapidamente e “conheceu as letras, observou o
amor à cultura e ao trabalho”.
Letrado,
Zózimo acompanhou a família de Pedro Pereira da Silva em viagem à Europa e no
retorno, sentiu que deveria fazer algo para melhorar a vida do povo e
transmitir o conhecimento conquistado por ele.
Acreditava
Zózimo que a educação era um fator mobilidade social?
Ainda
de acordo com a notícia publicada no Jornal Correio da Manhã datado de 1971, é
possível saber que “A Escola Zé Índio nasceu em 1817, num alpendre na Rua
Marquês de São Vicente, na esquina do Beco do Buraco” e que “os primeiros
alunos eram filhos de escravos libertados mediante pagamento de meia pataca”.
Com
o falecimento de Zé Índio, foi criada a Escola da Cartilha de Matemática para o
Liberto, “que em 1885 foi entregue à Irmandade de Nossa Senhora da Conceição da
Gávea, só para meninos” (Correio da Manhã, 26/08/1917, p.4). Ainda no século
XIX, a escola foi apadrinhada por D. Pedro II, recebendo o título de Escola do
Imperador (Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, 2005, p.45).
Atualmente, a antiga escola fundada por Zózimo recebe o nome de Escola
Municipal Luiz Delfino e integra a rede municipal do Rio de Janeiro, no bairro
da Gávea.
Referências
Jornal Correio da Manhã,
26/08/1917, p.4
Secretaria Municipal de
Educação do Rio de Janeiro. Escolas do Imperador. Rio de
Janeiro, 2005.
Avisem que estamos
chegando. Documentário. Stanley Nelson, 2017.

Nenhum comentário:
Postar um comentário