No
transcurso dos 56 anos do golpe militar de 1964, a democracia está em risco. O
processo de ataque às instituições começou com a Operação Lava Jato, criada sob
a alegação de combater a corrupção, que se partidarizou e afrontou
permanentemente o Estado Democrático de Direito, adotando práticas típicas de
Estado de exceção.
Associada,
à época, à grande mídia, ela empreendeu uma prolongada campanha para
criminalizar os partidos políticos, em especial a esquerda. Essa escalada
culminou com o golpe jurídico-parlamentar midiático que, com o impeachment
fraudulento, retirou o mandato da presidenta Dilma Rousseff, legitimamente
eleita.
Esse
golpe, somado à campanha que criminalizou a esquerda e desmoralizou o sistema
político como um todo, abriu caminho para que a extrema direita assumisse o
governo pela primeira vez desde a redemocratização.
Desde
a posse de Bolsonaro, as instituições e Poderes da República têm sido
permanentemente atacados pelo presidente e seu clã. O Congresso Nacional,
expressão do Poder Legislativo, e o Supremo Tribunal Federal (STF) – a quem
cabe papel de ser guardião da democracia – também sofrem ataques.
Nesse
um ano e três meses de governo, Bolsonaro tem utilizado o método de ir testando
os limites da resistência democrática, atacando sempre as instituições e
recuando após ser rechaçado para logo em seguida desferir outro ataque. Mesmo
na atual situação, de pandemia do coronavírus, quando está em risco a saúde a
vida dos brasileiros, ele segue com o seu intento de criar as condições para
uma ruptura com o regime democrático.
Nesse
sentido, chama a atenção a “Ordem do dia alusiva ao 31 de março de 1964” dos
comandantes militares, que nega os fatos hoje já consensuado pela imensa
maioria dos historiadores do pais, pelas instituições e os Poderes da
República, e mesmo por veículos da grande imprensa que fizeram autocrítica
sobre suas posições durante o regime militar.

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