Filósofa
alemã e judia contribuiu com importantes reflexões políticas, sobretudo sobre
autoritarismo; entenda uma delas
Por: Júlia Motta
Hannah Arendt foi uma filósofa alemã e judia que desenvolveu trabalhos importantes para a reflexão política no contexto da Segunda Guerra Mundial e do Nazismo. Forçada a fugir da Alemanha em 1933 após ser presa pelo regime nazista, Arendt conseguiu asilo nos Estados Unidos, onde produziu grande parte de seus livros e conceitos. Dentre eles, o de “Banalidade do Mal”.
Observando a violência do regime nazista, Arendt produziu uma série de livros sobre a ascensão do autoritarismo e, em um deles, refletiu sobre a maldade dos perpetradores do Holocausto. Em 1961, foi convidada pela revista “The New Yorker” a assistir o julgamento de um deles, Adolf Eichmann, em Jerusalém, para escrever suas percepções sobre um dos principais colaboradores de Hitler.
A partir do que observou nesse julgamento, a filósofa desenvolveu o conceito de “Banalidade do Mal”. Analisando Eichmann, Arendt percebeu que o mal praticado pelo oficial nazista não era sádico, ou “demoníaco” e tomado por ódio, mas um mal “burocrático”, que fazia parte da rotina de trabalho de Eichmann. Essa percepção chocou muitas pessoas além da filósofa, que esperavam ver alguém fanático por Hitler e um antissemita brutal.
Pelo contrário, Eichmann passou todo o julgamento sustentando sua inocência e não se considerou culpado pelos crimes que cometeu. O oficial justificava que estava apenas cumprindo seu trabalho e obedecendo ordens. Eichmann defendia que por estar seguindo as leis do Estado acreditava em sua inocência.
Dessa observação, Arendt chegou à conclusão de que o mal, muitas vezes, é praticado de forma banal, sem um pensamento crítico e reflexivo. A falta de reflexão sobre si e sobre o poder à sua volta pode fazer com que muitos indivíduos colaborem para a ascensão e a manutenção de sistemas autoritários. Desse modo, a filósofa escreveu como nem sempre atos maléficos partem de pessoas terríveis e monstruosas, mas às vezes de cidadãos comuns que agem sem reflexão crítica, apenas seguindo ordens para se encaixar no sistema imposto. A falta de pensamento, portanto, abre espaço para que violências sejam reproduzidas sem que a sociedade consiga pensar de forma crítica sobre elas.
Para contrapor a banalidade do mal, Arendt defende que é preciso estimular o pensamento crítico e a consciência individual e coletiva para evitar a obediência cega às regras impostas pelo Estado e, assim, a ascensão de regimes ditatoriais.
https://revistaforum.com.br/revista-forum/o-que-e-a-banalidade-do-mal-conceito-de-hannah-arendt
Por: Júlia Motta
Hannah Arendt foi uma filósofa alemã e judia que desenvolveu trabalhos importantes para a reflexão política no contexto da Segunda Guerra Mundial e do Nazismo. Forçada a fugir da Alemanha em 1933 após ser presa pelo regime nazista, Arendt conseguiu asilo nos Estados Unidos, onde produziu grande parte de seus livros e conceitos. Dentre eles, o de “Banalidade do Mal”.
Observando a violência do regime nazista, Arendt produziu uma série de livros sobre a ascensão do autoritarismo e, em um deles, refletiu sobre a maldade dos perpetradores do Holocausto. Em 1961, foi convidada pela revista “The New Yorker” a assistir o julgamento de um deles, Adolf Eichmann, em Jerusalém, para escrever suas percepções sobre um dos principais colaboradores de Hitler.
A partir do que observou nesse julgamento, a filósofa desenvolveu o conceito de “Banalidade do Mal”. Analisando Eichmann, Arendt percebeu que o mal praticado pelo oficial nazista não era sádico, ou “demoníaco” e tomado por ódio, mas um mal “burocrático”, que fazia parte da rotina de trabalho de Eichmann. Essa percepção chocou muitas pessoas além da filósofa, que esperavam ver alguém fanático por Hitler e um antissemita brutal.
Pelo contrário, Eichmann passou todo o julgamento sustentando sua inocência e não se considerou culpado pelos crimes que cometeu. O oficial justificava que estava apenas cumprindo seu trabalho e obedecendo ordens. Eichmann defendia que por estar seguindo as leis do Estado acreditava em sua inocência.
Dessa observação, Arendt chegou à conclusão de que o mal, muitas vezes, é praticado de forma banal, sem um pensamento crítico e reflexivo. A falta de reflexão sobre si e sobre o poder à sua volta pode fazer com que muitos indivíduos colaborem para a ascensão e a manutenção de sistemas autoritários. Desse modo, a filósofa escreveu como nem sempre atos maléficos partem de pessoas terríveis e monstruosas, mas às vezes de cidadãos comuns que agem sem reflexão crítica, apenas seguindo ordens para se encaixar no sistema imposto. A falta de pensamento, portanto, abre espaço para que violências sejam reproduzidas sem que a sociedade consiga pensar de forma crítica sobre elas.
Para contrapor a banalidade do mal, Arendt defende que é preciso estimular o pensamento crítico e a consciência individual e coletiva para evitar a obediência cega às regras impostas pelo Estado e, assim, a ascensão de regimes ditatoriais.
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