Os
malefícios para a democracia causados pelo câncer chamado Sérgio Moro são
irreparáveis.
Moro
sequer deveria estar atuando, porque há muito tempo, em março de 2016, deveria
ter sido demitido do serviço público, julgado e condenado à prisão pela
gravação criminosa e divulgação ilegal de conversas telefônicas da Presidente
Dilma com o ex-presidente Lula.
Protegido,
porém, pelo judiciário de exceção, o afilhado de casamento de Carlos Zucolotto
– o ex-sócio da Rosângela Moro que, segundo Tacla Duran, pedira U$ 5 milhões de
propina para facilitar acordo de delação premiada com a Lava Jato – continua
usando a toga e aparelhando o juizado para praticar crimes e perseguir
adversários.
O
último crime do Moro foi no tormentoso domingo de 8 de julho, quando ele – em
férias, porém acorrentado ao réu pelo qual nutre doentia obsessão – anulou
decisão de magistrado de instância superior do judiciário e mandou a pf
desobedecer ordem judicial que mandava libertar Lula do cárcere político.
A
interferência indevida do Moro na política não tem limites. A 6 dias da
eleição, ele tomou para si a delação feita pelo Palocci à PF com o objetivo
exclusivo de repassar seu conteúdo à imprensa municiar novos ataques a Lula e
ao PT para avariar a candidatura do Haddad.
Dois
detalhes importantes: [1º] a delação do Palocci sequer será usada por Moro como
prova nos processos do Lula que ele julga, o que explica o interesse puramente
político dele em perseguir Lula, e [2º] o ministério público recusou-se a
fechar acordo de delação com Palocci devido à enorme fragilidade das acusações
e à absoluta falta de provas.
Aliás,
falta de provas é o mínimo que se pode dizer das 12 páginas do depoimento do
Palocci à PF. O documento não contém uma prova mínima, um único documento, ou
um reles comprovante de que Lula tenha recebido ilegalmente 1 centavo de real
[R$ 0,01].
O
depoimento, ao invés disso, coleciona afirmações genéricas e suposições vagas.
Nele, abundam expressões como “segundo tem conhecimento …”, “soube que …”, “tem
conhecimento mas …”, “… mas sabe que”, “podem ter sido …”, “que pode
exemplificar que …”, “soube por terceiros que …”, “estima que …”, “que pode
afirmar que …”, “que não pode garantir …”, “que soube por terceiros …”, “que se
sabia que Lula …”, “que acredita que Lula …”, “que era comum Lula …”, “que a
intenção de Lula …” etc.
A
recompensa generosa que o estamento judicial concederá a Palocci em retribuição
pelo trabalho sujo prestado é um acinte.
Ao
celebrar acordo de delação, Palocci implicitamente se assumiu como criminoso
confesso e aceitou devolver, segundo divulgado, R$ 35 milhões na forma de
multa.
Em
contrapartida, preservará outros tantos milhões do patrimônio acumulado de
maneira que, como “se sabe por terceiros”, como ele diria, podem ter sido
originados em ilícitos praticados em nome e benefício próprio e de sua
famiglia.
Palocci
ainda será generosamente recompensado com a redução de 2/3 da condenação
recebida, de sorte que ele, portador de cidadania italiana, em breve poderá ser
libertado para desfrutar seu butim, com os seus, na Itália ou em outros
paraísos no velho continente.
Jeferson Miola

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