O
ministro Luiz Roberto Barroso já mostrou que é o candidato mais forte ao posto
de Jarbas Passarinho do século 21.
Também
ele mostrou que está disposto a mandar “às favas os escrúpulos de consciência”
e assumiu plenamente o papel de “cassador” dos direitos políticos de Lula.
Agora,
vai além e ameaça tirar do ar a propaganda da coligação do PT onde se observe
“recalcitrância sistêmica e generalizada de um candidato inelegível, sem o
abrigo do artigo 16-A, de se fazer presente, das mais variadas e insistentes
formas, na propaganda eleitoral paga pelo contribuinte em expediente que se
presta a desorientar o eleitorado quanto a aquilo que já decidido pela Justiça
Eleitoral”.
O
que são “variadas e insistentes formas”?
Lula
não aparece como candidato, que é o aquilo proibido pela Justiça Eleitoral –
esta, sim, ao arrepio do “abrigo do artigo 16-A” da lei eleitoral – mas como
personagem político e apoiador de Haddad, além de personagem que está vivo nos
sentimentos do povo e da lembrança de seus governos.
É
isso o que Barroso quer proibir.
Sai,
então, da posição do ex-ministro do regime militar e baixa à posição de “Dona
Solange”. Para quem é mais novo, Solange Teixeira Hernandes, diretora do
Departamento de Censura Federal da PF,
era a encarregada de “cortar” palavras e imagens consideradas
“inconvenientes” em músicas e filmes.
Era
ela quem decidia o que era capaz de “desorientar o eleitorado”. Por exemplo:
dizer que “da barriga da miséria, nasci brasileiro”, não podia. E virou “na
barriga da miséria, nasci batuqueiro” na música “Deus dará”, do Chico Buarque.
Que, aliás, passou a se assinar “Julinho da Adelaide” para, como sugere
Barroso, não caracterizar
““recalcitrância sistêmica e generalizada ” do compositor.
Pois
é isso que a “Solange togada” encarnada por Luiz Roberto Barroso quer fazer.
Abandona
o princípio de que a Justiça tem poder sobre os atos, jamais sobre as opiniões.
Delas,
Barroso não é dono e é interessante perguntar se o famoso “cala a boca já morreu”
de sua colega Cármem Lúcia vale para Lula e o PT.
Está
evidente que o ministro gosta é de uma versão da frase clássica: “quem manda na
sua boca sou eu”.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/barroso-achava-que-era-rui-barbosa-mas-virou-d-solange-da-censura-por-fernando-brito/

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