As
mulheres ao redor do mundo têm protagonizado diversas lutas contra expressões
da extrema-direita, como Trump, ou sido linha de frente dos ataques de Macri
junto ao FMI na Argentina, além da multitudinária luta pela legalização do
aborto. No Brasil, a polarização nacional marcada pelas eleições manipuladas
pelo Judiciário e tuteladas pelas Forças Armadas, que tem como expressão de
extrema-direita Bolsonaro e suas recorrentes declarações machistas, racistas,
lgbtfóbicas e profundamente anti-operárias, fez com que fossem justamente as
mulheres as que provavelmente vão decidir as eleições e que evidenciam nas
redes sociais a necessidade do combate à extrema-direita.
No
próximo sábado, dia 29, manifestações estão sendo convocadas em todo o Brasil
contra Bolsonaro, mas se permitirmos que nossa energia sirva de água no moinho
da conciliação do PT com os golpistas, ou para dar credibilidade e confiança
para a polícia, as mulheres não farão mais do que tornar sua própria força
inofensiva ao capitalismo. Essa força apresentada pelas mulheres deve também
questionar o aparelho repressor do Estado, a polícia, que na boca de Bolsonaro
ou mesmo do PT, que acredita numa polícia supostamente antifascista, são
instrumentos para reprimir os trabalhadores na sua luta por direitos contra os
ataques dos governos, matar os filhos das mulheres negras e pobres, como Marcos
Vinícius e Maria Eduarda, exterminar e encarcerar a juventude negra e conter o
potencial explosivo das mulheres em luta por seus direitos.
A
polícia é inimiga das trabalhadoras e trabalhadores
A
polícia possui uma função social: a proteção da propriedade privada, dos
capitalistas e da sua ordem. O faz utilizando a violência contra os trabalhadores,
a juventude, e o povo, sobretudo os pobres e negros. Ou seja, cumprem um papel
reacionário por definição, à serviço da dominação capitalista em sua essência,
são o braço armado do Estado.
Como
cães de guarda da burguesia, possuem uma lealdade estrutural à propriedade
burguesa, o que por sua vez faz com que ela seja completamente antagônica às
demandas e necessidades das mulheres trabalhadoras, e por isso defendemos que a
luta das trabalhadoras e trabalhadores precisa ser organizada de forma não
apenas independente, mas contra o Estado. Na obra “Estado e Revolução” de
Lênin, um dos principais dirigentes da Revolução Russa de 1917, sintetiza a
utilidade do Estado: “Como o Estado nasceu da necessidade de refrear os
antagonismos de classes, no próprio conflito dessas classes, resulta, em
princípio, que o Estado é sempre o Estado da classe mais poderosa, da classe
economicamente dominante que, também graças a ele, se toma a classe
politicamente dominante e adquire, assim, novos meios de oprimir e explorar a
classe dominada”. Pois bem, a polícia se encarrega da repressão por meio da
violência.
Não
fazem parte da classe trabalhadora, o produto de sua atividade é o genocídio da
população negra e a repressão sistemática das mobilizações da classe trabalhadora
e da juventude. Receber salário não torna a polícia parte da classe
trabalhadora, já que não tem nenhum papel na produção material da vida e, pelo
contrário, tem mandato da burguesia para atuar contra os verdadeiros
produtores, para dissolver assembleias, reprimir greves, e mesmo matar em
defesa a propriedade privada capitalista. Trotsky dizia que um poliial é um
burguês armado, e tem toda razão. Sua atuação evidencia sua razão de
existência, basta lembrar de Claudia e Luana, mulheres negras assassinadas pela
polícia. Ou até mesmo Marielle, assassinada pelo Estado por denunciar suas
atrocidades. Não são trabalhadores, como pontua Simone Ishibashi: “Não ensinam,
como os professores, não salvam vidas, como os trabalhadores da Saúde. O
“produto” do seu trabalho, sobretudo em grandes cidades como o Rio de Janeiro é
bem explícito: crianças, mulheres, trabalhadores e jovens negros e pobres
humilhados cotidianamente e assassinados. Isso os coloca em oposição aos
trabalhadores, pois seu papel é contrarevolucionário por definição. Uma
abordagem centrada no argumento de que “recebem salário” é, portanto, errada
para definir se são aliados dos trabalhadores e suas lutas.”.
A
polícia que assassinou Claudia, Luana, assassina também os filhos das mulheres
negras nas periferias, como Maria Eduarda que brincava dentro da sua escola, ou
Vanessa com apenas 10 anos. Recentemente, a polícia assassinou um bebê de
apenas 1 ano no Morro do Alemão. As “policiais mulheres” cumprem esse mesmo
papel, são nossas inimigas de classe.
As
revolucionárias e revolucionários precisam batalhar portanto para que tanto no
próprio movimento de mulheres, quanto operário e de juventude, a confiança no
aparato repressivo seja minada, em um trabalho estratégico que prepare para
desarmá-la e dissolvê-la nas futuras situações revolucionárias, o que hoje
consiste em combater qualquer tipo de ilusão a seu respeito. Este trabalho faz
parte de preparar as trabalhadoras e trabalhadores para a necessidade de
destruição do Estado burguês, onde necessariamente as forças repressivas terão
de ser enfrentadas, e os trabalhadores terão que organizar sua defesa de forma
independente do aparato repressivo para arrancar-lhes o poder e abrir espaço
para um novo mundo, construindo um governo de trabalhadores que possa romper
com o capitalismo. Qualquer ilusão e aliança construída com a polícia coloca em
evidência o desinteresse em preparar este enfrentamento, o único que pode
realmente resolver as mazelas estruturais do capitalismo, do qual são as
mulheres trabalhadoras, em especial negras, as principais atingidas.
O
mito da polícia antifascista do PT e do PSOL
Não
é possível unificar as forças com uma “polícia antifascista”, como defendem o
PT, o PSOL e o MST para as mobilizações contra Bolsonaro, já que não existe
qualquer movimentação da polícia que não defenda estruturalmente sua função
social, a repressão dos trabalhadores e da juventude, que pagam com as suas
vidas.
Esta
é uma enorme cilada para qual a energia das mulheres não pode ser canalizada.
Independentemente de também existirem mulheres na Polícia, ou de eventuais
decisões individuais de ruptura com a corporação, sua função social não é
alterada. Em Natal - RN, sua atuação empilha corpos da juventude negra na Zona
Norte e semanalmente reprime espaços de entretenimento da juventude.
Na
semana passada, Rodrigo Alexandre da Silva Serrano levava um guarda-chuva na
mãos, enquanto voltava para sua casa com a carteira de trabalho renovada, tinha
acabado de conseguir um emprego e foi assassinado porque a polícia “confundiu”
o guarda-chuva com um fuzil. O Estado escravocrata brasileiro transforma
qualquer coisa em pretexto para derramar mais sangue trabalhador e negro pelas
mãos da polícia e não merece nem um pingo de confiança das mulheres.
A
Polícia está à serviço do Estado, definido por Marx no Manifesto Comunista como
“o balcão de negócios da burguesia”, serve unicamente para garantir a nossa
exploração. Desta forma, tampouco o programa de desmilitarização da Polícia,
defendido pelo PSOL e pelo PT, e também pelos supostos policiais
“antifascistas”. A desmilitarização da polícia, defendida por alguns setores
devido ao ódio legítimo contra a política militar, não vai resolver o problema,
uma vez que as contradições no capitalismo seguirão sendo resolvidas pela
política armada contra a população oprimida: como demonstra a polícia dos
Estados Unidos, que é desmilitarizada e uma das mais assassinas do mundo. No
Brasil, as guardas municipais e metropolitanas tampouco são militarizadas, o
que não as torna menos assassinas. Um dos bastiões de tortura da Ditadura
Militar, o DOPS, por exemplo, era comandado pela Polícia Civil.
O
real combate à extrema direita só pode se dar pela organização independente das
mulheres, da juventude, dos negros, LGTBs em unidade com os trabalhadores. Não
podemos nutrir esperanças seja na polícia que é parte desse estado repressor,
seja em no mal menor representados por Haddad do PT ou mesmo Ciro do PDT que
buscam conciliar com os interesses dos patrões e dos golpistas, o que
significará para as mulheres mais trabalho precário, desigualdade salário e não
vão legalizar o aborto.
Contra
o pacto de unificação com a direita, oferecido pelo PT, a única forma de seguir
lutando contra o golpe institucional, é exigir dos sindicatos e organizações
populares que lutem por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.
Uma
Assembleia que possa discutir o não pagamento da dívida pública, a revogação
imediata e integral de todas as reformas do governo golpista de Temer e dos
governos anteriores, a eleição dos juízes pelo voto popular bem como sua
revogabilidade, o julgamento de todos os casos de corrupção por júri popular, o
elementar direito ao aborto legal, seguro e gratuito e todas as medidas que
possam fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise, e que imponha
a vontade das maiorias populares contra mais um pacto com golpistas e
escravistas que pretende descarregar a crise sobre nossas costas. Somente a
luta independente dos trabalhadores pode enfrentar o golpe, pois os de cima
como o PT estão conciliando com os golpistas e capitalistas.
Nós,
do grupo de mulheres Pão e Rosas chamamos todas a conhecer nossas ideias para
lutar contra o capitalismo e seu Estado burguês, pela legalização do aborto,
contra a desigualdade salarial entre homens e mulheres, brancos e negros, que
faz com que as mulheres negras ganhem 60% menos que um homem branco, por um
feminismo socialista para derrubar as estruturas do patriarcado que passa por
preparar a destruição do capitalismo de maneira revolucionária pela classe
trabalhadora: para isso, é indispensável a construção de um partido
revolucionário dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos LGBTs, que
tire as lições da tragédia da conciliação de classes do PT.

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