Não
há exagero em comparar os métodos de atuação da Polícia Federal do Brasil aos
da Gestapo, a polícia secreta do III Reich. Desde que abandonou o
profissionalismo em nome da politização de direita e abdicou de suas funções de
Estado para servir à causa da ruptura da ordem constitucional, a polícia
judiciária brasileira age como milícia nazifascista.
A
invasão da Universidade Federal de Minas Gerais, na manhã desta quarta-feira, 6
de dezembro, se encaixa com perfeição na moldura arbitrária e pirotécnica
adotada pela instituição ao se transformar em braço armado da Lava Jato e da
burguesia antidemocrática.
Em
mais um atropelo das garantias fundamentais a consolidar o estado de exceção em
que vivemos, foram levados coercitivamente para depor os reitores e
vice-reitores atuais, além de alguns de seus antecessores. Sem direito a se
fazer acompanhar por advogados, foram carregados à força para a sede da PF na
capital mineira, embora nenhum deles tenha sido convocado a depor, e se negado,
única justificativa para a condução coercitiva. A propósito, com o arbítrio se
disseminando como rastilho de pólvora, esse dispositivo legal vem se tornando
letra morta.
De
nada serviu a tragédia recente de Santa Catarina, quando Luis Carlos
Cancellier, reitor da UFSC, deu cabo da própria vida depois de ter seus
direitos e garantias violados de forma idêntica à que ora acontece em Minas
Gerais.
A
operação na UFMG, mais uma da PF em busca de holofotes, e visando a destruição
da reputação de seus alvos, foi feita sob o pretexto de investigar supostas
irregularidades ocorridas na construção do Memorial da Anistia, projeto de uma
parceria entre o Ministério da Justiça e a UFMG com a finalidade de dotar o país
de um espaço voltado para o armazenamento e a catalogação de documentos
históricos da resistência à ditadura militar e da luta vitoriosa pela conquista
da anistia.
Depois
do golpe de estado, as obras praticamente não saíram do lugar, pois não faz
parte, evidentemente, da agenda e das prioridades dos que assaltaram o governo
preservar a memória da anistia. Vale lembrar que o Tribunal de Contas da União
aprovou, sem restrições, a prestação de contas dos últimos três anos da UFMG.
Tudo leva a crer que a invasão seja um ato covarde de retaliação contra as
universidades públicas, devido ao seu papel central na resistência ao golpe,
além de preparação para a sua privatização, como “antros de corrupção”.
Sempre
vi de forma crítica os nomes dados pela PF às suas operações. Além de
debochados, eles quase sempre indicam juízo de culpabilidade antecipado e
preconceito por parte da instituição. Mas, no caso da UFMG, a PF se superou em
termos de falta de respeito aos que lutaram contra a tortura, os sequestros, a
censura, o banimento, as cassações e os assassinatos praticados à larga pela
ditadura.
A
operação foi batizada de “Esperança equilibrista” em alusão jocosa à obra prima
de Aldir Blanc e João Bosco, verdadeiro hino da anistia que embalou a volta do
“irmão do Henfil e tanta gente que partiu num rabo de foguete”. É provável que
os meganhas da PF tenham se solidarizado com seus antepassados da corporação,
cuja atuação na repressão brutal aos opositores do regime nos anos de chumbo
certamente seria retratada no futuro Memorial da Anistia.
Espero
ardentemente que a Câmara dos Deputados ganhe vergonha na cara e aprove de
imediato a Lei de Abuso de Autoridade.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/conducao-ilegal-do-reitor-da-ufmg-lei-do-abuso-de-autoridade-ja-por-wadih-damous/

Nenhum comentário:
Postar um comentário