A
julgar pelas manifestações de intolerância e ódio – de caráter político,
ideológico, religioso ou social - que se alastram como rastilho de pólvora, a
resposta é sim.
Valores
totalitários e pré-iluministas são uma ameaça real à sociedade?
A
volta da censura a obras de arte, partindo de um número cada vez maior de
analfabetos formalmente letrados e de esferas de governo, indicam que sim.
O
estado de exceção já uma realidade no Brasil pós-golpe?
O
cerceamento do direito de defesa, as prisões arbitrárias - preventivas e
provisórias- por uma eternidade para forçar delações, as violações do devido
processo legal e da Constituição, além das condenações sem provas, mostram que
sim.
O
“brasileiro cordial”, do grande Sérgio Buarque de Holanda, na antológica obra
“Raízes do Brasil”, de 1940, se tornou ,77 anos depois, um ser racista,
homofóbico,sexista, xenófobo e violento ?
Os
números estarrecedores falam por si. O Brasil é um dos líderes mundiais do
ranking de crimes contra a mulher, sejam eles estupros, abusos sexuais, assassinatos
ou agressões físicas e psicológicas. O racismo e o ódio aos pobres são outras
duas feridas purulentas abertas. 60 mil pessoas são assassinadas todos os anos,
já somos a quarta maior população carcerária do planeta e a tese de armar a
população não para de ganhar adeptos. Por todas essas razões, com toda a
certeza, a resposta é sim.
Essa
pequena autoentrevista ganhou o teclado do computador, confesso, em um momento
de pico de angústia diante da destruição da nação brasileira. Mas logo a gente
sacode a poeira e segue em frente, afinal, a mágica e única experiência de
viver não pode e não deve ser contaminada pelos vermes do obscurantismo.
A
juventude da minha geração ia para a rua lutar por liberdade e justiça social.
Hoje, as pessoas querem sangue e enforcamento em praça pública, se deliciando
com as prisões alheias. Não importa a versão do acusado, seu direito à defesa e
a um julgamento justo. Não importa a presunção de inocência garantida pela
Constituição.
Essa
sede de sangue enche os botequins e as lojas de eletrodomésticos sempre que as
emissoras de televisão mostram as imagens da prisão pirotécnica de mais um
preso da Lava Jato. É triste ver que o efeito manada do linchamento conta
inclusive com a adesão de militantes e dirigentes de uma certa esquerda de viés
moralista. Isso até o dia em que eles ou seus familiares forem também engolidos
pela boca do jacaré fascista.
Como
diz o deputado Wadih Damous, nada é mais revolucionário nos dias atuais do que
lutar pelo estado de direito democrático.
http://blogdobepe.com.br/index.php/politica/item/1724-estamos-nos-tornando-um-pais-de-descerebrados-e-dementes

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