Depois
de escapar da segunda denúncia criminal ao custo de R$ 32 bilhões, Temer vai
despejar sobre o Brasil um saco abarrotado de maldades, entreguismos e
retrocessos. Só que agora enfrentando um Congresso mais guloso e dono de si,
que disputará com o Executivo a condução da agenda. Medidas mais impopulares,
como a reforma previdenciária, o Congresso vai desidratar, mas eles vão se
entender no que for de interesse do poder econômico. A nova fase começa amanhã
com o leilão do pré-sal, que fará a festa das petroleiras estrangeiras. Na
semana que vem Temer já envia ao Congresso o projeto que estabelece a modelagem
da venda da Eletrobrás para acelerar a entrega do setor elétrico ao capital
privado, colocando em risco a segurança energética do país. Se hoje a energia é
cara, quando deixar de ser serviço público e virar mercadoria é que veremos.
A
equipe econômica agora não quer mais desculpas para ver editadas as medidas
provisórias do ajuste fiscal. O rombo acumulado este ano já alcança R$ 108,533
bilhões, o pior resultado da história para o período desde o início da série
histórica, em 1997. Ainda antes do resultado desastroso do mês passado (deficit
de R$ 22,7 bilhões), estavam engatilhadas, contra os servidores públicos
federais, medidas como o aumento da contribuição previdenciária, de 11% para
14% e o congelamento de todos os aumentos escalonados que foram negociados
ainda no governo Dilma.
Novas
maldades devem ser acrescentadas. Benefícios, como ajuda de custo para
remoções, serão cortados ou reduzidos. A observância do teto será rigorosa e
para isso haverá cortes em salários que estiverem extrapolando o limite. O
governo planeja também fixar um piso salarial de R$ 5 mil reais para os
funcionários que ingressarem no serviço público daqui para a frente, o que
desestimulará o ingresso em carreiras mais qualificadas, como as de gestores,
auditores e diplomatas, cujos concursos são concorridíssimos. O resultado será
a degradação da máquina administrativa.
Na
pauta de urgência da Câmara entrará o projeto que altera a lei dos planos de
saúde, que poderá expulsar do sistema as pessoas com mais de 60 anos, se
prevalecer a planejada regra de reajustes a cada aniversário.
Com
o início da vigência da reforma trabalhista em 11 de novembro, já pairam
ameaças sobre a própria justiça trabalhista, onde é forte o movimento de
resistência de juízes e desembargadores contra medidas que consideram
inconstitucionais.
Estas
e outras maldades, retrocessos e entreguismos é que fazem de Temer o presidente
mais impopular do mundo mas ele não se importa. Afinal, não tem mesmo qualquer
futuro na política. O encontro marcado que ele tem não é com as urnas, é com a
Justiça, onde terá que responder, quando deixar o cargo, pelas denúncias que
ele conseguiu barrar na Câmara aliciando deputados com recursos públicos.

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