domingo, 3 de julho de 2016

INVESTIDAS CONTRA CRISTINA KIRCHNER E LULA. Por Max Altman

Já tratamos disso neste blog. No entanto é preciso voltar ao assunto. Os jornais estampam em manchetes gritantes: “Polícia revista imóveis de Cristina e Justiça fecha cerco a ex-presidenta”. O libreto é o mesmo. Lá e cá. Ali, Cristina e Axel, aqui, Lula e Dilma. Lá, Clarin, cá, Globo. O “Partido Judicial” junto à Polícia Federal e os meios de comunicação hegemônicos intensificam a campanha de perseguição e difamação. O objetivo central – e já não escondem – é impugnar a volta de Cristina e Lula. E desde já distrair a população do ajuste certamente contra o interesse dos trabalhadores e da debacle econômica que logo mais se agudizará.

Para que o leitor possa se inteirar do que realmente está passando, passo a palavra a Cristina.

A ex-presidenta voltou a utilizar as redes sociais para denunciar que o “Partido Judicial, com inusitada virulência, instado pelo goveno Macri e com o explícito incentivo que lhes proporcionam os meios hegemônicos de comunicação intensificaram sua campanha de perseguição e difamação do governo que presidi”.

Cristina sustenta na carta publicada hoje em seu perfil oficial no Facebook, datada de ontem, 30 de junho, que a investida judicial tem dois objetivos: 1) incutir na opinião pública que o governo anterior, durante os 12 anos e meio de gestão, teve como único propósito cometer delitos Tenta-se criar um novo tipo penal: o delito de haver pertencido ao governo durante o período 2003/2015; 2) distrair a população enquanto o ajuste e a debacleeconômica aumentam a pobreza, a desigualdade e a inseguridade de maneira já inocultável e exponencial.

Em seguida, sob o título “Fato e meios” a mandatária descreve os procedimentos judiciais e como foram difundidos por intermédio dos meios de comunicação, em cinco pontos:

I.- Na sexta-feira, 24 de junho, quase toda a imprensa em uníssono destacou a medida requerida pelo procurador Gerardo Pollicita, pedindo o levantamento do segredo fiscal da família Kirchner. Pretendiam fixar que disso derivaria um agravamento de minha situação processual;

Vale esclarecer que a informação requerida pelo procurador – quando pede o levantamento do segredo fiscal – já se encontra incorporada na causa “Hotesur” desde dezembro de 2014. Sim, desde 2014 a informação está incluída e consta de 40 caixas de documentação que se encontram à disposição do juizado;.

E mais, a respeito de tal documentação – entre outras em curso no processo – o juiz Ercolini ordenou há quase 60 dias, o início de uma perícia contábil que o procurador de maneira inexplicável vem postergando;.

II.- Em 27 de junho do corrente ano, também se deu extraordinária difusão à denúncia por associação ilícita apresentada pela deputada governista Margarita Stolbizer nas causas judiciais existentes..

Tal petição carecia de toda originalidade a justificar semelhante divulgação, máxime quando esse suposto delito – de contornos duvidosamente constitucionais e que é interposta quando não se tem prova concreta de alguma infração penal – vem sendo denunciado e investigado já faz vários anos e sem que nenhuma prova concreta permita avalizá-lo;

III.- Na mesma data, o juiz Bonadío, me impôs de maneira arbitrária e ilegítima a obrigação de ter de comparecer novamente ao seu juizado a fim de cumprir um trâmite processual totalmente desnecessário, ou seja, notificar-me de uma decisão que já conheço e da qual apelei por meio de minha defesa há mais de um mês.

É de se alertar, uma vez mais, como o poder jurisdicional conferido a este personagem vem sendo exercido com finalidade de vingança.

Simplesmente, me permito recordar que o mesmo “juiz”, há apenas umas semanas, para receber depoimento testemunhal nessa mesma causa, utilizou uma via elementar: a da tecnologia, isto é, a videoconferência, utilizável sobretudo quando as pessoas têm domicílio real a mais de 2 mil quilômetros do juizado;

IV.- No dia indicado no primeiro item, novamente este obscuro personagem, que conta naturalmente com a proteção do Conselho da Magistratura, comandado pelo governismo e pelo ‘Partido Judicial’, voltou a ordenar novas buscas e apreensões na província de Santa Cruz, inclusive em domicílios que já haviam sido objeto desta ação em mais de uma oportunidade neste ano. Tudo com o inequívoco propósito de que a imprensa militante em favor de Macri pudesse difundi-los com manchetes catastróficas;

V.- Entretanto, faltava a cereja do bolo. Puseram-na, outra vez, os juízes da Sala II da Câmara Federal, os “prestigiosos”, segundo a imprensa hegemônica e governista, Eduardo Guillermo Farah e Martín Irurzun. Devo recordar que estes mesmos juízes se encontram atualmente denunciados pelo delito de prevaricação cometido contra mim na causa do “Dólar futuro”.

Esse processo tão particular em que Bonadío diz que a presidenta, o Ministro da Economia Axel Kicillof e a direção do Banco Central do governo anterior cometeram um delito para que os membros do governo atual, que foi quem desvalorizou nossa moeda, ganhassem muito dinheiro. Requereu-se, de ambos, a abertura de processo ante o Conselho da Magistratura, o qual, não duvido, obedientemente haverá de indeferi-lo com fundamentos que repugnam o mais elementar critério de justiça.

Estas mesmas pessoas, abusando de sua posição como juízes de câmara, põem-se, agora a descoberto e com mais clareza ainda, como meus concretos e diretos acusadores, pretendendo impor ao juiz Casanello – quem, repito uma vez mais, não conheço – a obrigação de investigar-me por fatos que já são de conhecimento de outros juizados.

Desta maneira, Cristina sustenta que o objetivo é multiplicar as causas judiciais contra si “pelos mesmos motivos, violando destarte proibições expressas estabelecidas pela Constituição e tratando de impedir toda possibilidade de defesa como deve outorgar-se e a que tem direito qualquer pessoa”.

“Que garantia de imparcialidade pode esperar qualquer cidadão quando os mesmos juízes que devem avaliar imparcialmente um caso, são os que acusam, valendo-se ademais das falsas evidências que conhecidos denunciadores de sempre seguem inventando?” pergunta-se a ex-presidenta. “Em suma, estamos vivendo dias difíceis para o Estado de Direito”, sentencia.

E para fechar a carta, Cristina pede que não se preocupem com a sua situação pessoal e sim pelo que considera o real objetivo da “campanha de perseguição e difamação”: “Uma dissimulação para fazer nosso país retroceder a uma situação de desigualdade social e subordinação a um poder econômico concentrado que acreditávamos definitivamente banidas”.

Fonte. Site Opera Mundi

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/07/investidas-contra-cristina-kirchner-e.html?spref=tw


Um comentário:

alvaro e fabrini disse...

Interessane tomar conhecimento. Alias...Cristina Kirchner fez questão de remover uma homenagem a Cristovão Colombo do pátio da Casa Rosada...e disse...não posso aceitar a
presença de algo q reporta ao massacre do povo que aqui vivia...