Existem
pessoas que por mais que se esforcem não conseguem o destaque que pretendem
obter. Querem brilhar, mas não possuem a luminosidade necessária para tanto. Em
regra são aqueles que aqui no sul nós chamamos de toscos, ou seja, pessoas que
não possuem o verniz cultural necessário para atingirem o intento pretendido.
E
que verniz seria este?
Existem
de dois tipos de verniz: o primeiro advém daquela aura resultante do
conhecimento formal adquirido através de leitura de bons livros, o denominado
verniz de gabinete. O outro é aquele proveniente da escola da vida, para mim o
mais importante e sedutor. Sim, porque entre as pessoas mais incríveis que
conheci ao longo da vida, estavam justamente aquelas que aprenderam a viver nas
ruas, nas vielas, nas periferias e outros lugares que pessoas pertencentes às
classes mais altas nunca pensaram em conhecer ou transitar. Este é o verniz
material e como exemplo destas últimas, eu posso citar o ex-presidente Lula,
aquele a quem sempre me refiro como sendo um homem dotado de uma sabedoria sem
firulas retóricas e cujo aprendizado foi obtido nas lutas pela sobrevivência e
nos embates sindicais.
Pois
o juiz Moro não tem nem o verniz formal e nem o material. Não tem uma retórica
refinada e nem demonstra ter um mínimo de vivência da qual pudéssemos inferir
que ele possa ser um líder carismático em potencial. Eu imagino que ele deva
ser um bom decorador de apostilas e ter alguma capacidade de decifrar os
chamados pega-ratões das questões colocadas em concursos para as áreas
jurídicas, afinal para ser juiz ele passou por todos estes obstáculos. Mas para
por aí. No restante, ele tem um longo caminho a percorrer para tentar atingir o
status de mito que Lula, Brizola e tantos outros já atingiram há muito tempo.
Assim
sendo, ele deveria reduzir-se à sua condição de juiz e fazer o seu trabalho com
imparcialidade, sem demonstrar esta compulsão pelos holofotes da grande mídia
que ele demonstra ter. E deve ser prevenido de que por mais que tente, não tem
a dimensão necessária para tentar ser algo mais do que aquilo que realmente
deveria ser: um juiz pago pelo povo para aplicar o direito ao caso concreto,
sempre com a devida obediência à Constituição Federal e aos demais diplomas
legais. E que não deve continuar derrubando por terra princípios universais do
direito conquistados pela humanidade duramente ao longo de séculos simplesmente
para agradar segmentos elitistas que querem voltar ao poder, indignados que
estão com os avanços sociais conquistados nos últimos anos.
Se
eu pudesse, eu faria uma exortação ao senhor Moro e diria a ele: não se deixe
transformar em instrumento do golpe que pessoas que não conseguem recuperar o
poder pelo voto estão loucas para levarem a cabo. Não deixe que te transformem
em um mísero peão neste jogo de xadrez entre a oposição golpista e o governo.
Não te iludas pelas luzes da ribalta que lhe estão sendo direcionadas, pois tão
logo tenhas cumprido tua deplorável missão, serás sacrificado em prol das peças
mais importantes.
Se
te deixares seduzir por delírios de glória, eles irão conduzi-lo diretamente à
lata de lixo da história. Pode não ocorrer imediatamente, pois estás servindo
aos interesses da direita e do imperialismo, mas futuramente, quando se fizer a
revisão do atual momento político longe do calor dos embates ideológicos, serás
inevitavelmente relegado ao papel degradante de ter sido mais um daqueles que
ajudaram a destruir a soberania brasileira e o futuro de milhões de
brasileiros.
É,
mas infelizmente ele não me escutará, pois gente deste jaez não gosta de ouvir
as vozes que ecoam nas periferias.
Jorge
André Irion Jobim

Nenhum comentário:
Postar um comentário