“Acima
do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma
de um jornal residem em seu senso moral, sua coragem, sua integridade, sua
humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem
estar público, sua disposição em servir à sociedade.”
A
frase acima tem mais de cem anos, e é de autoria de um dos maiores jornalistas
da história, Joseph Pulitzer.
Reencontrei-a
ao reler A Vida e a Morte dos Barões da Imprensa, de Piers Brendon.
E
refleti sobre ela.
Me
ocorreu o seguinte: como Pulitzer, uma colossal referência em jornalismo ético,
avaliaria a imprensa brasileira, de acordo com os valores estampados na
sentença inicial deste artigo?
Numa
escala de zero a dez, ele daria à mídia nacional provavelmente uma nota próxima
de zero.
Defender
os desvalidos, os oprimidos? Ora, esqueça. Num caso antológico, o Globo, pouco
antes do Golpe, definiu o 13.o estabelecido por João Goulart como uma “calamidade”.
O
mesmo Globo, agora, se bateu pela terceirização e, consequentemente, pela
subtração de direitos trabalhistas.
Mesmo
antes de se tornar o panfleto canalha que é, a Veja defendeu por determinação
de Roberto Civita estridentemente, durante anos, a redução desses mesmos
direitos. Eles eram o amaldiçoado “Custo Brasil”.
A
Folha leva à prática a supressão desses direitos. Boa parte de seus jornalistas
mais caros são PJ, uma forma de sonegar.
É
algo que a Globo também faz.
As
empresas contam, para essa transgressão, com a tradicional impunidade dada a
elas por um Estado Babá. (Babá delas, naturalmente.)
E
a humanidade de que falava Pulitzer? Pausa para gargalhar. As corporações
jornalísticas exalam ódio, sobretudo contra quem, de alguma forma, defende os
desvalidos.
Bem,
podemos dispensar uma análise sobre a “devoção ao bem estar público”, já que o
único bem estar que interessa aos donos da imprensa brasileira é o deles
próprios e o de seus amigos e aliados.
Quando
você viu ao menos uma campanha em jornais e revistas contra a desigualdade
social?
Nunca.
E jamais verá, não com as pessoas que estão no comando das empresas de
jornalismo.
Tudo
considerado, não há um único item em que a imprensa brasileira vá bem no
conjunto de qualidades jornalísticas tão bem armado por Pulitzer.
Em
compensação, ela se encaixa à perfeição em outra sentença de Pulitzer.
Ei-la.
“Uma
imprensa cínica, mercenária, demagógica vai formar, com o tempo, leitores tão
baixos quanto ela própria.”
Fonte:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-pulitzer-avaliaria-a-imprensa-brasileira-por-paulo-nogueira/

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