Qualquer governo que se atreva a incluir socialmente
camadas cada vez maiores da sociedade, levando dignidade a grupos de pessoas
anteriormente negligenciadas pelo poder, fará com que aquelas minorias que
sempre ocuparam lugares de destaque
nesta vetusta pirâmide social já corroída pelo tempo sintam periclitar suas
posições.
Pois tão logo isso venha a ocorrer, tais governantes serão
tachados de populistas, termo que passou a ser utilizado de maneira
depreciativa por estas elites que não suportam que pessoas da senzala se
aproximem da casa grande. Tanto que hoje em dia, o termo é fartamente utilizado
como sinônimo de demagogia, palavra que também teve desvirtuado seu sentido
original, já que etimologicamente ela significava condutor do povo, aquele que
conduzia pessoas através de caminhos que somente ele conhecia ou que se
destacava por ser hábil em conquistar o apoio da maioria para suas idéias, sem
que o termo possuísse qualquer sentido pejorativo como hoje ocorre.
Assim, temerosos de perderem ou terem diminuídos seus
privilégios, os acusadores se insurgem contra aquilo que na realidade significa
uma ampliação no número de pessoas que podem sentir vontade de influenciar no
jogo democrático. Sim, porque indivíduos que têm melhores condições de vida, passam
a ter tempo e vontade de obterem uma melhor educação, aguçam sua visão de mundo
e como consequência, arriscam-se a sonhar, adquirem senso crítico e passam e
ter um melhor instrumental intelectual para mudarem o rumo da história.
Eles começam a se atrever a olhar firme nos olhos daqueles
que lhes impunham regra, lhes davam ordens sem admitir qualquer discussão, e
passam a questiona-los, rompendo antigas correntes que os reduziam praticamente
a uma condição igual ou inferior à de escravos. Começam a não mais aceitar
migalhas; querem uma fatia maior do bolo que na verdade somente eles elaboram,
mas que na hora do compartilhamento, quase nada recebem.
São várias as palavras utilizadas pelos
poderosos para tentarem depreciar a imagem daqueles que lhes contrariam os
interesses: terroristas, comunistas, ateus, hereges e outras. Quando não
conseguem enquadrar governantes progressistas em alguma delas, apelam então
para o termo “populista”.
Felizmente o povo já desvendou o golpe e sabe que, se ser
populista significa diminuir a distância entre pobre e ricos, todos devem
gritar em alto e bom som: VIVA O POPULISMO!!!
Jorge André Irion Jobim.

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