domingo, 23 de junho de 2013

DESLUMBRAMENTO REVOLUCIONÁRIO


Eu sempre fui favorável às manifestações populares, até pelo fato de que venho de uma geração que foi violentamente reprimida caso quisesse fazê-las. E não eram balas de borracha; eram balas letais. E aqueles que eram apanhados não eram presos e liberados logo a seguir como acontece hoje graças aos avanços de nosso sistema penal e processual e por vivermos em uma democracia plena.

Na época da ditadura eles seriam torturados e jogados em prisões sem que seus parentes sequer soubessem onde estavam. Algumas inclusive, seria mortas e seus corpos nunca mais seriam encontrados. Basta estudarem um pouco a nossa história recente e verão que eu tenho razão.

O que não me coaduno é com certas pessoas que saem às ruas com estas pautas genéricas ditadas pela grande mídia. Por exemplo, eu gostaria de conversar com aqueles que são contra a PEC 37 se eles sabem realmente o que ela representa. Se eles têm a noção de que poder de investigar, acusar e julgar nas mãos de apenas uma pessoa ou órgão representa o retorno ao obscurantismo da inquisição que levou à morte injusta de milhares de pessoas durante uma época que não sem razão foi chamada de Idade das Trevas.

A separação estanque de tais atribuições significou um avanço de nosso direito que não pode ser destruído assim sem mais nem menos sob pena de ficarmos à mercê de um retrocesso pernicioso. Daqui a pouco teremos gente empunhando cartazes favoráveis aos julgamentos sumários e linchamentos em praça pública achando que com isto estarão lutando por uma justiça mais eficiente.

Não podemos nos deixar levar por este deslumbramento revolucionário inconsequente. Vamos lutar por pautas mais específicas que representem realmente um aperfeiçoamento de nossa democracia. Da solidez de cada tijolo que fabricarmos hoje, dependerá a construção final deste estado que sonhamos, capaz de nos proporcionar saúde, educação e a segurança de boa qualidade e que, por sua transparência total, será naturalmente infenso à corrupção.       
 
Jorge André Irion Jobim.




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