segunda-feira, 14 de junho de 2010

CAMELÔS E AMBULANTES EM SANTA MARIA


REINO DE ATAVUS

Em Santa Maria, RS, aparentemente, existe uma certa unanimidade a respeito da necessidade de retirada dos camelôs e ambulantes de seus ambientes de trabalho, confinando-os em um local adredemente destinado a eles. Alguns setores da sociedade até exultam diante de tal possibilidade, tomados de um repentino e intempestivo senso estético. Sim, pois devemos ter consciência de que a estética de uma cidade não pode se sobrepor às necessidades de sobrevivência daquela parcela da população que precisa exercer as referidas atividades para darem sustento aos seus familiares com um mínimo de dignidade. Aliás, dignidade que é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil.

O trabalho nas ruas é inerente ao conceito de ambulante ou camelô. Retirar deles tal característica, é desvirtuar tais atividades, para cujo exercício, a única qualificação exigida é o poder de convencimento que cada um deve ter para seduzir os transeuntes que são os seus potenciais consumidores.

Parece até mesmo existir nos meios de comunicação, uma espécie de anuência tácita com tais determinações, pois não estão dando espaço suficiente aos representantes de tal classe de trabalhadores para que eles exponham suas inconformidades com a situação que se avizinha. Inclusive, ao se noticiar que a Brigada Militar irá servir de “reforço” na retirada dos informais, parece que se está configurando uma espécie de ameaça velada aos que quiserem opor alguma resistência.

A questão é saber se o grande e atraente tapete com o qual se pretende enfeitar a região central, sob a denominação eufemística de “revitalização” da avenida Rio Branco, será suficientemente grande para esconder debaixo dele o desemprego e a miséria que campeiam nas periferias da cidade. Isso porque, ainda que o poder público consiga retirar os atuais camelôs e ambulantes das ruas, caso não haja solução para a questão da empregabilidade, outros surgirão e em breve as calçadas serão novamente por eles ocupadas.

Nota. Outro artigo referente aos camelôs e ambulantes de Santa Maria.


Jorge André Irion Jobim. Advogado de Santa Maria, RS

Publicado no Jornal A Razão de 14 de Junho de 2.010


http://www.scribd.com/doc/33003464/140610

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