Michel Temer aparece sempre
com seu ar empertigado.
Manda dizer que está
irritado com vazamento de medidas antipáticas: ora com as aposentadorias, ora
com o desmanche da Lava Jato, ou agora, com esta história da abolição do
recesso parlamentar.
Se você não sabe – e duvido
que já não saiba – entenda que só existe uma coisa verdadeira em Temer: a
falsidade.
Ele aparenta, por regra, ser
contrário do que é.
Está posando de “grande
árbitro” da composição de seu ministério quando é, ma verdade, uma peça sendo
empurrada para lá e para cá no serpentário de forças que reuniram-se para o
impeachment.
Bernardo de Mello
Franco, uma das raras lúcidas vozes
remanescentes na grande imprensa, chama a atenção para isso:
A propaganda do corte de
ministérios já começou a fazer água. Ontem a Folha noticiou que o vice desistiu
de reduzi-los a 20 para acomodar partidos que votaram pelo impeachment. A conta
subiu para 26 e ainda deve aumentar até a posse.
Há riscos de retrocesso em
outros setores. A bancada evangélica, que se uniu para derrubar Dilma Rousseff,
agora apresenta a fatura. Na quarta, Temer recebeu e orou com o pastor Silas
Malafaia, conhecido pela pregação ultraconservadora na TV.
Ele cobrou o fim da
distribuição de material didático que ensina as crianças a respeitarem a
diversidade sexual. Dois dias depois, vazou-se que o vice deve entregar o Ministério
da Educação ao DEM, que abriga os políticos da igreja do pastor.
Mesmo assustadora,
convenhamos, vicissitudes da acomodação de forças de qualquer governo, seja
de suas próprias seja das que, com a perspectiva de poder vêm sobrenadando a
enchente do poder.
A diferença, neste caso, e
Bernardo o destaca, é que Temer dependeu do povo para vestir a faixa.
E que suas até agora
anunciadas propostas – “defende a flexibilização das leis trabalhistas, o fim
das despesas obrigatórias com a saúde e a desvinculação do salário mínimo aos
benefícios sociais” – não o elegeriam senão para o papel de Judas.
Temer, portanto, não tem
forças próprias a sustentar seu ar afetado.
É de Cunha, na Câmara.
Terá de ser tucano – e
radicalíssimo – na economia.
Terá de ser fundamentalista
nas questões “de fé e moral”.
E tudo isso bem empertigado,
a dar uma aparência que permita a mídia exibi-lo como um estadista do Museu de
Cera de Madame Toussauds, embora o critério que se se façam ali apenas estátuas
de celebridades o deixe fora da lista.
Felizmente, Temer terá a
dividir consigo o papel de ridículo pomposo os 11 ministros do supremo tribuna
federal (a corte que perdeu o direito de usar letra maiúscula). Falam difícil,
esbravejam quando alguém sugere que possam se acovardar, mas patrocinaram a
tomada de poder por Eduardo Cunha, procrastinando decisões e resumindo a uma
“questão técnica” o direito de um criminoso denunciado e réu presidir um
processo de impeachment.
Agora, cínicos, discutem se
Cunha, nas ausências de Temer, pode se sentar na cadeira presidencial.
Não se preocupem,
excelências, ele governa de pé, mesmo.
http://www.tijolaco.com.br/blog/lorde-temer-o-escravo-da-corte-imunda/

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