segunda-feira, 7 de setembro de 2015

POR UM BREVE MOMENTO

Por um breve momento os olhos do mundo se voltaram para a imagem daquele menino sírio morto e estendido na beira da praia no mar da Turquia. Lágrimas rolaram até mesmo dos olhos de pessoas mais afeitas às durezas da vida.

Foi um soco violento no estômago das pessoas. Acredito que até mesmo aqueles que comandam os países imperialistas e os governantes de nações que sempre tiveram vocação colonialista, por um breve momento tiveram abaladas suas consciências e convicções bélicas. Sim, porque elas são as grandes culpadas, já que possuem o único objetivo criar e fomentar guerras para dividir e destruir outras nações no afã de arruiná-las e apossarem-se de suas riquezas.

Algumas pessoas mais sensíveis mobilizaram-se e tentaram apresentar algumas soluções paliativas para estes milhares de refugiados de guerra, sendo que alguns países passaram até a cogitar em flexibilizar a questão de darem guarida a estas multidões de refugiados das guerras.

Mas a vida é dinâmica e com as novas tecnologias acabamos criando uma cultura da síntese, do superficial e do efêmero. Nenhum fato ou imagem pode durar o tempo suficiente para que se estabeleça uma reflexão mais profunda a respeito da nossa triste e combalida condição humana.

Vida que segue, disseram alguns. Não deveriam ter mostrado aquela fotografia, disseram outros, dando a entender que revelar a verdade e os efeitos deletérios das guerras é algo ruim e que tudo deve ser ocultado das pessoas sob pena de abalarmos suas vidinhas fúteis e suas felicidades aparentes. Sim, porque elas poderão se dar conta de que o mundo está explodindo ao seu redor e que o planeta comandado pelos senhores das guerras não é um lugar seguro para se viver conforme pensam alguns alienados. 

Mas logo vieram novos fatos, novas fotos, novas frases, tudo em uma grande avalanche e em poucos instantes a consciência do mundo foi novamente anestesiada. Não demorou muito tempo e todos retomaram suas trajetórias insanas rumo à destruição do que ainda existe de belo no planeta.

E o menino sírio? Bem ele que já havia se afogado nas águas do mar que tentava navegar com o objetivo de fugir da guerra em busca de um país que o adotasse, agora também está lá, afogado e inerte no fundo das águas turvas de nossas consciências. Um menino de três anos, duplamente sepultado.

Mas uma coisa é certa: a partir desta sua imagem, as palavras humanidade e civilização, tiveram seus conteúdos praticamente esvaziados e desacreditados.

Jorge André Irion Jobim

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