Por
um breve momento os olhos do mundo se voltaram para a imagem daquele menino
sírio morto e estendido na beira da praia no mar da Turquia. Lágrimas rolaram
até mesmo dos olhos de pessoas mais afeitas às durezas da vida.
Foi
um soco violento no estômago das pessoas. Acredito que até mesmo aqueles que
comandam os países imperialistas e os governantes de nações que sempre tiveram
vocação colonialista, por um breve momento tiveram abaladas suas consciências e
convicções bélicas. Sim, porque elas são as grandes culpadas, já que possuem o
único objetivo criar e fomentar guerras para dividir e destruir outras nações
no afã de arruiná-las e apossarem-se de suas riquezas.
Algumas
pessoas mais sensíveis mobilizaram-se e tentaram apresentar algumas soluções
paliativas para estes milhares de refugiados de guerra, sendo que alguns países
passaram até a cogitar em flexibilizar a questão de darem guarida a estas
multidões de refugiados das guerras.
Mas
a vida é dinâmica e com as novas tecnologias acabamos criando uma cultura da
síntese, do superficial e do efêmero. Nenhum fato ou imagem pode durar o tempo
suficiente para que se estabeleça uma reflexão mais profunda a respeito da
nossa triste e combalida condição humana.
Vida
que segue, disseram alguns. Não deveriam ter mostrado aquela fotografia,
disseram outros, dando a entender que revelar a verdade e os efeitos deletérios
das guerras é algo ruim e que tudo deve ser ocultado das pessoas sob pena de
abalarmos suas vidinhas fúteis e suas felicidades aparentes. Sim, porque elas
poderão se dar conta de que o mundo está explodindo ao seu redor e que o
planeta comandado pelos senhores das guerras não é um lugar seguro para se
viver conforme pensam alguns alienados.
Mas
logo vieram novos fatos, novas fotos, novas frases, tudo em uma grande
avalanche e em poucos instantes a consciência do mundo foi novamente
anestesiada. Não demorou muito tempo e todos retomaram suas trajetórias insanas
rumo à destruição do que ainda existe de belo no planeta.
E
o menino sírio? Bem ele que já havia se afogado nas águas do mar que tentava
navegar com o objetivo de fugir da guerra em busca de um país que o adotasse,
agora também está lá, afogado e inerte no fundo das águas turvas de nossas
consciências. Um menino de três anos, duplamente sepultado.
Mas
uma coisa é certa: a partir desta sua imagem, as palavras humanidade e
civilização, tiveram seus conteúdos praticamente esvaziados e desacreditados.
Jorge
André Irion Jobim

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