É
necessário reverenciar o heroísmo dos que combateram e deram suas vidas pela
libertação
A
vitória sobre o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial constitui um magno
acontecimento da História da humanidade. As forças progressistas do mundo
contemporâneo devem rememorar essa conquista, para extrair as lições dos
trágicos acontecimentos que marcaram o período de vigência do nazifascismo e os
horrores da guerra.
É
necessário reverenciar o heroísmo dos que combateram e deram suas vidas pela
libertação. Necessário também defender as conquistas democráticas e sociais
decorrentes do triunfo sobre o nazifascismo, expressão terrorista do capital
monopolista e do imperialismo, responsável pelo desencadeamento da guerra de
agressão e rapina que provocou cerca de 75 milhões de mortos, dos quais cerca
de 27 milhões de cidadãos soviéticos, por inúmeros sofrimentos e o horror dos
campos de concentração nazistas.
Ainda
hoje é preciso combater as falsificações históricas e reafirmar que foi a União
das Repúblicas Socialistas Soviéticas, dirigida pelo Partido Comunista que com
seu Exército Vermelho, o heroísmo de seus soldados e do povo soviético, o fator
decisivo para que se chegasse ao Dia da Vitória, em 9 de Maio de 1945.
A
Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi resultado do agravamento das
contradições interimperialistas e, simultaneamente, do propósito da destruição
do primeiro Estado socialista, a URSS, expresso, nomeadamente, no apoio e
conivência do Reino Unido, França e Estados Unidos com o rearmamento e ambição
expansionista da Alemanha nazista.
A
vitória sobre a Alemanha nazista e os seus aliados foi alcançada graças à
contribuição decisiva da União Soviética socialista.
A
guerra envolveu direta ou indiretamente 80% do mundo, causou imensas dores,
ingentes e indeléveis sacrifícios, provocou dezenas de milhões de mortes e
incontáveis destruições materiais.
A
Segunda Guerra Mundial começou como um confronto entre as grandes potências
capitalistas. A rigor, com o final da Primeira Guerra (1914-1918), não
terminara a luta pela redivisão do mundo, por mercados, zonas de domínio e
influência. Nem a disposição das potências imperialistas para levá-la a efeito por
meio da violência. Era a sobressaltos que se afigurava o fenômeno do
desenvolvimento desigual do capitalismo no curso da nova fase monopolista.
A
Alemanha, então a potência mais agressiva, visava a impor sua hegemonia na
Europa e ampliar seu império para o Oriente Médio e a África. O Japão pretendia
a hegemonia na região do Pacífico, convertendo em suas colônias a China, a
Coreia, a Indonésia, a Indochina, a Índia e as ilhas do Oceano Pacífico. Já os
fascistas italianos sonhavam em transformar o Mar Mediterrâneo num “lago
italiano” e ocupar a Argélia, a Tunísia, a Córsega e outros territórios. Visava
ainda ao domínio sobre os Bálcãs.
Esses
objetivos entravam em contradição com os interesses da Inglaterra, da França e
da nova potência imperialista emergente, os Estados Unidos da América. Foi por
esta razão que do lado oposto ao eixo Alemanha-Itália-Japão, enfileirou-se a
coalizão formada por aquelas três potências ocidentais.
Acontecimentos
trágicos que marcam indelevelmente a história da humanidade devem ser sempre
lembrados para que não se repitam, se as gerações posteriores forem capazes de
extrair os ensinamentos pertinentes. Por isso é necessário recordar alguns
fatos anteriores ao Primeiro de Setembro de 1939, quando a guerra começou.
Pacto anti-Comintern
Pouco
recordado, um dos episódios mais pedagógicos a esse respeito foi o chamado
“pacto anti-Comintern”. Em outubro de 1935, as tropas italianas invadiram a
Etiópia. Alemanha e Itália empreendiam ações para esmagar a luta republicana e
democrática do povo espanhol. Os dois países mantinham entendimentos para
dividir as zonas de influência na Europa e aplicar uma política internacional
comum.
Em
1936, representantes do Japão e da Alemanha assinaram em Berlim o “pacto
anti-Comintern”, ao qual se uniu a Itália. Tratava-se de um esforço para
convencer a opinião pública de que o seu objetivo era a luta contra o
comunismo, especialmente contra o Comintern (o Comitê da Internacional
Comunista).
Por
outro lado, Estados Unidos, Inglaterra e França desenvolviam uma política de
suposta neutralidade e "não intervenção", calculando superar as
contradições com os países fascistas às custas da União Soviética. Essas três
potências estimavam que, na luta contra a agressão fascista, os seus
adversários se debilitariam, o que lhes permitiria manter suas zonas de
influência e de ocupação colonial e liquidar a União Soviética como país
socialista.
A
política de “não intervenção” visava a isolar a União Soviética e criar as
condições para uma grande cruzada dos países imperialistas contra esta,
utilizando como força de ataque o fascismo alemão e o militarismo japonês.
Diante de tal situação a União Soviética seguiu a política da segurança
coletiva, segundo a qual os países interessados em sua segurança nacional deveriam
manter laços entre si com tratados de ajuda mútua a fim de se defenderem de
agressões.
A
direção soviética advertiu que a política de não intervenção significava um
encorajamento à agressão, permitia deixar o terreno livre à guerra e
transformá-la em guerra mundial. Ficava claro nessa política de não intervenção
o obscuro desejo de que, na frente oriental, o Japão entrasse em guerra contra
a China e ainda mais contra a União Soviética. Nunca fez parte dos planos das
potências imperialistas realizar qualquer ação que impedisse que a Alemanha
golpeasse a União Soviética. O que pretendiam era fazer com que a Alemanha e a
União Soviética se debilitassem numa guerra entre si para depois sair em cena
com suas forças ilesas, e, no “interesse da paz”, impor as suas condições aos
países beligerantes debilitados.
O complô de Munique
É
nesse quadro que tem lugar o “complô de Munique”. Em março de 1938, as tropas
hitleristas entraram na Áustria, sem nenhuma resistência e proclamam a anexação
do país. Apesar de ter sido uma agressão e uma clara demonstração dos planos
expansionistas da Alemanha, os governos ocidentais reconheceram a anexação, que
não deixava de ser um encorajamento a esses planos.
A
conferência de Munique, entre chefes de governos da Alemanha, Inglaterra,
França e Itália, realizada em setembro de 1938, chancelou os planos alemães e
configurou-se como uma desonrosa cedência da parte da Inglaterra e França, por
isso mesmo não foi isenta de contradições.
Os
acordos ali assinados previam que a Tchecoslováquia entregasse à Alemanha no
prazo de dez dias a região dos Sudetos e outros territórios fronteiriços, o que
equivalia à completa liquidação do Estado Tchecoslovaco.
A
política de cedências, que representava também um perigo para os países que a
praticavam, não era isenta de contradições. Havia setores que enxergavam que tal
política inflaria o bloco dos países fascistas, pois era óbvio que estes
apresentariam novas exigências de anexações, o que entraria cada vez mais em
contradição com os interesses da própria Inglaterra, da França e dos Estados
Unidos.
Antes
de se tornar primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, partidário da
política de enfrentamento militar a Hitler, fez um discurso na Câmara dos
Comuns (parlamento britânico) criticando a posição adotada na Conferência de
Munique: “Escolhemos uma derrota, sem guerra, cujas consequências nos
acompanharão longe em nosso caminho”. “Vocês escolheram entre a guerra e a
desonra; escolheram a desonra e terão a guerra”. Mais tarde, em suas memórias,
o líder britânico, que de pró-soviético não tinha nada, muito ao contrário,
escreveu: “A oferta dos soviéticos foi de fato ignorada. Eles não foram
consultados em face da ameaça hitlerista e foram tratados com indiferença, para
não dizer com desdém, o que marcou o espírito de Stálin. Os acontecimentos se
desenvolveram como se a Rússia Soviética não existisse. Pagamos terrivelmente
por isso”.
Pacto germano-soviético
A
primeira reação política e diplomática da União Soviética foram as conversações
de Moscou, em março de 1939, com França e Inglaterra, visando a firmar um
tratado de ajuda mútua, para a eventualidade de uma agressão alemã. Enquanto
isso, os países imperialistas mantinham entendimentos secretos com Hitler a fim
de dividir zonas de influência no mundo. Foi o que levou a União Soviética ao
controvertido, mas demonstrado pelos fatos como salvador, tratado de não
agressão com a Alemanha, em 1939. Com o tratado, a União Soviética
temporariamente neutralizou a agressão nazista e paralisou os esforços dos
imperialistas ingleses e franceses para isolá-la.
A
recordação desses fatos e o resgate das decisões táticas e estratégicas da
época servem para extrair lições, o que pode ajudar as forças
anti-imperialistas de hoje a melhor se situar nos quadros complexos com que se
defrontam.
Caráter patriótico da
resistência
Tendo
sua origem nas contradições interimperialistas, a Segunda Guerra Mundial foi
gradualmente mudando de caráter. Os povos dos países ocupados ergueram-se na
resistência popular-nacional antifascista, passando a protagonizar uma justa
luta democrática e de libertação nacional. Os próprios Estados capitalistas, a
partir do desencadeamento da guerra, viram-se confrontados com o perigo
nacional, o que criou condições para a formação de um amplo e poderoso
movimento patriótico e antifascista.
Para
os povos do mundo e as forças progressistas e revolucionárias que tomavam a
frente de suas lutas, apresentou-se o imperativo e combater pela democracia e a
libertação nacional. Para os povos da União Soviética, então liderada por
Stálin, o principal desafio passou a ser, a partir da invasão alemã do seu
território, empreender a guerra patriótica em defesa da pátria do socialismo.
Formou-se,
assim, uma frente antifascista de dimensões mundiais. Os próprios países
capitalistas, nas condições da ameaça que a Alemanha nazista representava para
a sua soberania e integridade, uniram-se à luta dos povos do mundo e da União
Soviética.
Decerto,
as potências ocidentais não eram aliados confiáveis, mantinham posição ambígua
e vacilante quanto à causa da libertação dos povos e da democracia. Isto tinha
ficado patente quando da assinatura do Pacto de Munique, quando essas potências
alimentavam o desejo de jogar a Alemanha contra a União Soviética, julgando que
assim contornavam a guerra contra si próprias.
Malgrado
o caráter imperialista dos aliados, a frente antifascista foi indispensável e
salvou a humanidade de uma tragédia maior.
A
vitória sobre o nazi-fascismo seis anos depois, a conquista de democracia e da
paz, coroou o esforço de guerra dos aliados, a luta dos povos e a direção
lúcida e justa da União Soviética, que na sequência da vitória passou a liderar
o bloco que o escritor Jorge Amado chamaria de "o mundo da paz".
Quase
oito décadas depois do término da Segunda Grande Guerra, a humanidade se vê
ameaçada por novos conflitos. O ambiente internacional encontra-se carregado
por ameaças neocolonialistas, guerras comerciais, ingerência nos assuntos
internos de países soberanos, violações ao direito internacional, direitização
da vida política, criminalização dos movimentos sociais e todo tipo de
contradições que podem desembocar em novas tragédias.
Somente
a união dos povos e sua mobilização na defesa consequente da soberania
nacional, da democracia e da paz serão capazes de conjurar o perigo de guerra.
https://www.brasil247.com/ideias/dia-da-vitoria-em-9-de-maio-de-1945-a-humanidade-se-libertou-do-nazifascismo

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