terça-feira, 16 de julho de 2013

POR UM NOVO MODELO


Continuamos ainda movidos por um ultrapassado conceito de progresso e isso nos impede de criarmos um esboço de uma nova civilização na qual possamos sobreviver sem aquela volúpia de consumo que a mídia nos impõe desde a tenra idade. É preciso que descubramos que a felicidade tem outros caminhos que não o do denominado consumismo ostentatório, aquele ditado por nossa ânsia de comprarmos um monte de coisas que muitas vezes sequer temos vontade ou necessidade de possuirmos, mas que por indução de poderosas e eficientes máquinas publicitárias, acabamos adquirindo para depois deixarmos abandonadas em um canto qualquer da casa.

Se há alguma coisa que precisamos urgentemente consumir, são os chamados produtos imateriais. Sim, porque se continuarmos consumindo apenas bens materiais e fechando os olhos e ouvidos para o que a produção de tais bens está causando ao planeta que é nossa casa, em breve ele não terá mais condições de suportar nossos desejos cada vez mais insaciáveis. É tempo de revermos a nossa relação com a terra e com todo o universo antes que seja tarde demais. Precisamos espalhar as sementes da consciência ambiental com a urgência que a situação está exigindo de todos nós.
Também é hora de pressionarmos governos de modo que sejam colocados limites nestas gigantescas corporações antes que elas, com seus monopólios acabem dominando, devorando ou tornando inócuos estes mesmos estados que hoje se curvam diante delas e ficam lhes rendendo homenagens e lhes fazendo mesuras eivadas de vergonhosa e indigna subserviência.

Devemos exigir dos governos um discurso político mais contundente no que concerne à questão ambiental, pois o projeto capitalista que tem seu suporte na lógica do produtivismo/consumismo que aí está é suicida e levará inexoravelmente ao fim de todas as condições de habitabilidade e consequentemente, de qualquer tipo de vida no planeta.




Já está internalizada no seio da população a crença de que melhorar a vida das pessoas é dar-lhes condições de adquirirem mais e mais bens materiais, mas deixando de lhes mostrar que o bem estar não reside somente aí. Ele está principalmente na busca de educação, saúde, alimentação sadia, água sem poluição e todos os demais fatores que nos possibilitam uma maior qualidade de vida. Há que se abandonar esta idéia central do capitalismo que é o consumo ensandecido, pois ele depende de crescimento contínuo que por sua vez causa também uma devastação contínua e irreversível.

Não há mais como fingirmos que nada está acontecendo e já está na hora de pensarmos no pior. Quando advertidas, as pessoas retrucam afirmando que estão apenas procurando um lugar ao sol. Nada contra, mas de nada adianta querermos que o sol brilhe hoje se deixarmos de perceber que logo ali no horizonte o tempo está enferruscando e tempestades colossais estão se preparando para ocultar a tão procurada luz solar e derramar sobre nós uma escuridão com ares de eternidade. 

Jorge André Irion Jobim.

Publicado no jornal A Razão de Santa Maria no dia 16 de Julho de 2.013




Nenhum comentário:

Postar um comentário