Continuamos
ainda movidos por um ultrapassado conceito de progresso e isso nos impede de
criarmos um esboço de uma nova civilização na qual possamos sobreviver sem
aquela volúpia de consumo que a mídia nos impõe desde a tenra idade. É preciso
que descubramos que a felicidade tem outros caminhos que não o do denominado
consumismo ostentatório, aquele ditado por nossa ânsia de comprarmos um monte
de coisas que muitas vezes sequer temos vontade ou necessidade de possuirmos,
mas que por indução de poderosas e eficientes máquinas publicitárias, acabamos
adquirindo para depois deixarmos abandonadas em um canto qualquer da casa.
Se há alguma coisa que precisamos
urgentemente consumir, são os chamados produtos imateriais. Sim, porque se
continuarmos consumindo apenas bens materiais e fechando os olhos e ouvidos
para o que a produção de tais bens está causando ao planeta que é nossa casa,
em breve ele não terá mais condições de suportar nossos desejos cada vez mais
insaciáveis. É tempo de revermos a nossa relação com a terra e com todo o
universo antes que seja tarde demais. Precisamos espalhar as sementes da
consciência ambiental com a urgência que a situação está exigindo de todos nós.
Também é hora de pressionarmos
governos de modo que sejam colocados limites nestas gigantescas corporações
antes que elas, com seus monopólios acabem dominando, devorando ou tornando
inócuos estes mesmos estados que hoje se curvam diante delas e ficam lhes
rendendo homenagens e lhes fazendo mesuras eivadas de vergonhosa e indigna subserviência.
Devemos exigir dos governos um
discurso político mais contundente no que concerne à questão ambiental, pois o
projeto capitalista que tem seu suporte na lógica do produtivismo/consumismo
que aí está é suicida e levará inexoravelmente ao fim de todas as condições de
habitabilidade e consequentemente, de qualquer tipo de vida no planeta.
Já está internalizada no seio da
população a crença de que melhorar a vida das pessoas é dar-lhes condições de
adquirirem mais e mais bens materiais, mas deixando de lhes mostrar que o bem
estar não reside somente aí. Ele está principalmente na busca de educação,
saúde, alimentação sadia, água sem poluição e todos os demais fatores que nos
possibilitam uma maior qualidade de vida. Há que se abandonar esta idéia central
do capitalismo que é o consumo ensandecido, pois ele depende de crescimento
contínuo que por sua vez causa também uma devastação contínua e irreversível.
Não há mais
como fingirmos que nada está acontecendo e já está na hora de pensarmos no
pior. Quando advertidas, as pessoas retrucam afirmando que estão apenas
procurando um lugar ao sol. Nada contra, mas de nada adianta querermos que o
sol brilhe hoje se deixarmos de perceber que logo ali no horizonte o tempo está
enferruscando e tempestades colossais estão se preparando para ocultar a tão
procurada luz solar e derramar sobre nós uma escuridão com ares de
eternidade.
Jorge
André Irion Jobim.
Publicado
no jornal A Razão de Santa Maria no dia 16 de Julho de 2.013


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